Artigos Quinta-Feira, 31 de Janeiro de 2019, 10h:30 | - A | + A

RENATO GOMES NERY

A colônia Brasil

RENATO NERY

 

O mundo está dividido ou sempre esteve entre colonizadores e colonizados. Os colonizadores sempre dominaram o conhecimento e hoje detém os avanços científicos, bem como os segredos da ciência, da alta tecnologia e são depositários de respeitáveis e consideráveis arsenais atômicos. E os colonizados são os fornecedores de produtos primários, sem o acesso aos avanços da ciência e das tecnologias de ponta como, por exemplo, a inteligência artificial.

 

Uma tonelada de soja gira em torno de U$ 400,00. Este é o valor médio de um telefone celular que importamos da China para onde vai 2/3 de nossas exportações de soja. Certamente que para produzir um celular em linha de produção se gasta muito menos do que para produzir uma tonelada de soja, sem falar nos danos ao meio ambiente. A vantagem deste negócio fica com quem? Recebe-se, também, em troca não somente o celular, mas todo tipo de quinquilharias compradas, por aqui, a preço de banana e produzidos “made in China” por trabalhadores mal remunerados e em precárias condições de trabalho. Enfim, mantemos em outro continente a escravidão ou semiescravidão distante dos nossos olhos  e dos nossos escrúpulos.

 

Longe de brigar com o regime comunista autoritário da China, pois seria a ruina do Brasil. Entretanto, o Governo provinciano,  tem a descortesia  de convidar e desconvidar para a sua posse Governos de pequenos países que nos devem fortunas. E nisso não difere de governos anteriores que discriminavam pelo perfil ideológico. O pragmatismo que deve pautar as relações internacionais foi jogado na lata de lixo e o rico dinheirinho emprestado.... babau!

 

O novo Governo tem promessas de diminuir as Reservas Indígenas e terras de quilombolas para que novas terras sejam incorporadas na plantação de grãos. E para isto nomeou para cuidar das florestas - que foram subordinadas ao Ministério da Agricultura - uma notória raposa. Entretanto, temos centenas de milhares de terras de pastagens depredadas que aliadas aos avanços genéticos aumentarão ainda mais com ampliação de criação de animais em confinamento. Terras estas que poderiam ser incorporadas ao plantio de grãos preservando o que ainda resta de nossas florestas que estão dentro do perímetro das referidas Reservas.  Bem como diminuir o ímpeto do desmatamento desenfreado que as forças do descaso não conseguem conter. Não faria mal ao País um programa de industrialização dos produtos primários incorporando a eles novos valores, empregos, rendas, impostos e diminuindo o impacto de exportação de produtos primários nas estradas.   

 

Sai Governo e entra Governo, mas o País continua a perseguir esta mentalidade de colonizado que o acomete desde sempre, permanecendo como exportador de produtos primários e subserviente aos colonizadores em tantos outros setores como a ciência e, sobretudo, aos avanços estratégicos e  tecnológicos.

 

A nação é prisioneira de inúmeras e severas contradições. A mentalidade é tacanha. A racionalização e nem a coerência são o forte do País, o que complica a sua índole servil. Os estadistas contemporâneos não aparecem para salvar País desta dependência, desta desonra, desta cegueira e deste cruel atraso.  Enquanto isto  vai-se batendo a cabeça para lá e para cá num mundo cada vez mais complexo e competitivo.  Desculpem-me pelo assunto aqui tratado neste inicio de ano cheio de bons presságios, mas estou cansado de perseguir este fogo fátuo chamado futuro que não vem! Bom ano para todos!

 

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.

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