Artigos Quarta-Feira, 01 de Agosto de 2018, 14h:27 | - A | + A

VICENTE VUOLO

Nos trilhos de Berlin

VICENTE VUOLO

 

A minha excursão histórica chega a Berlim, uma das cidades mais evoluídas do mundo, que respira cultura, política, mídia, ciência e transporte ecologicamente correto. Mais de 5 milhões de pessoas vivem na sua área metropolitana (Berlim-Brandemburgo) com muito orgulho de pertencer a capital mundial da indústria criativa.

                   

A pesquisa científica tem um significado econômico elevado para a cidade, reconhecidamente uma das regiões mais inovadoras do mundo, principalmente, nas áreas farmacêuticas, de engenharia biomédica, biotecnologia, eletrônica, engenharia de tráfego, energia renovável, comunicações, transporte, ciências da vida, tecnologia da informação, música e design, serviços ambientais e de saúde. É a sede de algumas das mais importantes universidades, eventos esportivos, orquestras e museus do planeta. 

 

É impressionante como a capital alemã prioriza a preservação do meio ambiente. Cerca de um terço da área da cidade é composta por florestas, parques, jardins, rios e lagos.

 

Possui um transporte público eficiente voltado para os trilhos. Os habitantes e turistas podem se deslocar pela cidade sem perder nenhum detalhe do trajeto. Lá, o carro não é importante sendo usado mais para passeios.

                   

O desenvolvimento sustentável é prioridade para esta fantástica cidade apaixonada por trilhos, pois, não polui o meio ambiente como os veículos a diesel e a gasolina que emitem o gás carbônico. Aliás, a Alemanha investiu quase R$ 500 bilhões em 2017 em tecnologias verdes, de turbinas eólicas e prédios com energia solar até carros elétricos e incineradores de lixo.

                   

Uma das melhores formas de se locomover é utilizando o combo metrô + bicicleta, ainda mais que existem bicicletários em todas as estações. Só o bonde (ou S-Bahn) é composto por 22 linhas, quase 400 estações, com 286 quilômetros, o que faz dele, um dos sistemas mais extensos do mundo. É chamado simplesmente de “Tram”. Rápido, silencioso e prático, o bonde é o transporte predileto dos berlinenses. É uma cultura secular inaugurado em 1881.

                   

Já o metrô (U-Bahn), inaugurado em 1902, possui 10 linhas que servem a 173 estações em 146,3 quilômetros. Mais de 500 milhões de passageiros passam através do medidor anualmente.

                   

Ou seja, é uma cidade verdadeiramente humana. A preocupação com o futuro das pessoas que ali habitam é prioridade. Para melhorar ainda mais a mobilidade urbana, os alemães pretendem interligar ferrovia e ciclovia ainda mais e, assim, melhorar a qualidade das vias públicas com muita arborização. Um dos muitos projetos inovadores é o “Radbahn”. Uma moderna ciclovia coberta (assim quem anda de bicicleta não vai se molhar, caso chova) com espaços para descanso, pontos de café, assistência técnica, além de outros serviços oferecidos ao longo do percurso estimulando a indústria criativa.

                   

É de se admirar o planejamento berlinense cujo foco é a sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida dos moradores sempre.

                   

Nos trilhos de Berlim com uma dose de ciclovia você pode visitar e admirar áreas verdes da cidade como o gigantesco parque de 200 hectares “Tiegarten” (o pulmão verde da cidade) tendo a Coluna da Vitória (Siegessaule) na entrada e um imenso gramado distribuído no belo jardim inglês com casa de chás, dentre outras atrações.

                   

Para os que apreciam os “tesouros da história” existem uma infinidade de museus como o Museu da História Natural (Museum fur Naturkunde), Museu Alemão da Tecnologia (Deutsches Technikmuseum), Museu da História de Berlim (The Story of Berlim Museum), Museu do Checkpoint Charlie, entre outros. Existe, porém, uma área considerada patrimônio cultural mundial pela UNESCO e que abriga 5 grandes museus chamada de “Ilha dos Museus” composta por 5 grandes museus: o Alte Nationalgalerie; o Altes Museum; o Bode-Museum; o Neus Museum (famoso por abrigar o busto da rainha Nefertiti, esposa de um Faraó egípcio) e o Pergamonmuseum (mais conhecido e visitado) que possui em seu interior um grande templo da Grécia Antiga. 

                   

Não há como não visitar o Portão de Brandemburgo, localizado no centro da Pariser Platz, construído em 1789-91, com o objetivo de comemorar as vitórias prussianas. Na parte de cima do monumento está a famosa Quadriga, inspirado nos pórticos da Grécia Antiga.

                   

Muito próximo do Portão de Brandemburgo (principal símbolo de Berlim) está o Monumento às vítimas do Holocausto, um Memorial dedicado aos 6 milhões de judeus mortos durante o regime nazista. O monumento consiste de 2.711 blocos de concreto cinza escuro, quase preto, distribuídos em fileiras paralelas sob uma superfície ondulada. O nome da rua desse local foi denominado Cora Belerliner Strasse, economista alemã e cientista social, vítima do Holocausto.

                   

Os trilhos de Berlim permitem visitar outros lugares imperdíveis que retratam o passado e o presente, a preservação e a modernização de uma cidade vibrante como: o Muro de Berlim (East Side Gallery) com extensão de 1,3 km e mais de 100 obras pintadas, às margens do Rio Spree; o Alexander Platz, uma praça super agitada com feira ao ar livre, loja de departamento (Galeria Kanfhof); a majestosa Torre de TV, inaugurada em 1669, é o ponto mais alto da cidade, com 365 metros de altura, sendo mais alta que a Torre Eiffel. Possui uma visão 360° da cidade e um restaurante giratório, cuja volta demora cerca de 20 minutos; o Checkpoint Charlie é o antigo posto militar na divisa entre Alemanha Oriental e Ocidental, local este que tive a cortesia de oferecer um café ao policial de plantão como um presente de um cidadão brasileiro.

                   

Berlim foi destruída na Segunda Guerra Mundial, se reconstruiu e se reinventou. Visitando-a vemos o que podemos fazer por aqui. Como podemos ter cidades humanas e sustentáveis. Talvez nem todas precisem da sofisticação que temos por lá. Mas, é bem possível, vencida a ganância e a pequenez, ter cidades repletas de parques, com sistemas de mobilidade sustentáveis e limpas.

                   

Uma cidade que tenha como foco o ser humano é o lugar certo para se envelhecer com saúde. E foi justamente nos trilhos de Berlim que presenciei as pessoas sentindo o prazer e a liberdade de se locomover por todos os espaços, sem perda de tempo e com qualidade de vida.

                   

Vi, nessa experiência europeia, que os trilhos seguem sendo modernos e viáveis.

 

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

 

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