Artigos Sexta-Feira, 09 de Março de 2018, 09h:45 | - A | + A

MÁRIO NADAF

Oito de Março

MÁRIO NADAF

O Dia Internacional da Mulher tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial. Tais manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. No entanto, a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas das mulheres por melhores condições de vida e trabalho e também pelo direito de votar. 

 

Esse histórico de luta se estende até os dias de hoje, também em nosso país, onde observamos que o número de lares brasileiros chefiados por mulheres saltou de 23% para 40% entre 1995 e 2015, segundo informações da pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. A sondagem, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é realizada com base nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Mesmo diante deste quadro, observamos a desigualdade salarial, entre cargos ocupados por homens e mulheres e um índice preocupante de violência contra mulher. 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. As mulheres negras são ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos. 

 

É inegável que as mulheres têm conquistado espaço e respeito na sociedade após anos de luta por igualdade de direitos, no entanto, ainda falta muita conscientização. Um exemplo disso é o número de mulheres assassinadas em Mato Grosso nos dois primeiros meses deste ano: foram 19 mortes. Isso é alarmante.

 

Além de políticas públicas que abordem o tema feminicídio, é necessário que as escolas e os pais passem a enfatizar mais a questão da violência contra a mulher.

 

Diante deste quadro vemos que o dia 8 de março deve ser comemorado, mas, mais que isso deve ser uma data para conscientização dos direitos das mulheres adquirido ao longo do tempo, os quais devem ser conservados e ampliados.

 

 

Mário Nadaf é advogado, professor de história e vereador por Cuiabá, pelo Partido Verde (PV)

Email: marionadaf03@gmail.com

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