Em Destaque Terça-Feira, 17 de Abril de 2018, 09h:23 | - A | + A

"ACHOU QUE ERA CACHORRO"

Delegado diz que alegação de médica para não prestar socorro é "fajuta"

Letícia Bortoloni atropelou e matou verdureiro no sábado; ela obteve HC na noite de segunda

CÍNTIA BORGES

DO MÍDIA NEWS

O delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), diz que é “mentirosa” a alegação da médica Leticia Bortolini de que não teria prestado socorro ao verdureiro Francisco Lucio Maia, 48 anos, por achar que tinha atropelado um animal.

 

A médica foi presa em flagrante sob suspeita de, alcoolizada, atropelar e matar o vendedor na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, na noite de sábado (14).

 

Em depoimento na audiência de custódia, a médica tentou justificar o fato de não ter prestar socorro ao verdureiro e contou ter achado que atingira um cachorro. 

 

“Não tem jeito de achar que é um cachorro, não. Ele estava com um carrinho de feira, não foi um negócio simples. É um objeto bem grande para você confundir com um cachorro”, disse o delegado.

 

Ele diz que pelo estrago no veículo da médica, um Jeep Compass, é “impossível” achar que foi um cachorro.

 

“Inclusive, causa perplexidade. Há algum tempo nós tivemos outra médica que também se envolveu em um acidente e veio com essa história mentirosa de cachorro. Está soando até antiético, pois eles repetiram a mesma história fajuta depois de tanto tempo”, disse o delegado.

 

Investigação

 

Durante toda a segunda-feira (16), o delegado Christian Cabral conduziu as investigações do caso. 

 

Ele realizou todo o percurso feito pelo casal – a médica e o marido – da saída do festival de churrasco até a chegada ao condomínio em que eles moram.

 

“No transcorrer do dia recolhendo tanto imagens quanto informações do local onde eles estavam. Eles estavam em um evento, o Braseiro. A menos de 2 quilômetros do local de onde foi o acidente. Bem próximo. E também pegaremos filmagens do trajeto até o condomínio para podermos por um pá de cal nesse assunto”, disse.

 

O delegado conta que pegou as imagens da câmara de segurança do condomínio para sanar algumas dúvidas levantadas nas redes sociais. Algumas pessoas levantaram a hipótese de ser o marido o condutor do veículo, e a mulher ter se apresentado para livrá-lo de uma possível acusação.

 

“É uma linha de investigação, mas nós não temos nada de oficial de que não era ela que estava dirigindo. Isso são só suposições”.

 

O delegado já iniciou as oitivas das testemunhas do caso. Nesta manhã, ele ouviu a pessoa que seguiu a médica até a casa dela, e a testemunha afirmou que se tratava de uma mulher.

 

“Ele disse que apesar de ele não ter conseguido ver com clareza quem estava conduzindo o veiculo, ele pode afirmar com clareza que a pessoa tinha cabelos cumpridos. Então aponta realmente para a médica”.

 

Na tarde desta terça-feira (17), o marido da médica Aritony de Alencar Menezes deve prestar depoimento.

 

O caso

 

Francisco morreu enquanto tentava atravessar a Avenida Miguel Sutil com seu carrinho com verduras, por volta das 20h.

 

Marido e mulher teriam apresentado sinais de embriaguez, segundo a Polícia.

 

Uma pessoa que presenciou o momento do acidente foi atrás do casal e viu o momento em que o carro entrou em um condomínio no Jardim Itália.

 

A Polícia foi acionada e a médica autuada por homicídio culposo no trânsito e omissão de socorro.

 

Na audiência de custódia, no domingo (15), a juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 9ª Vara Criminal, converteu a prisão em flagrante em preventiva.

 

A médica foi solta após o desembargado Orlando Perri conceder o habeas corpus na noite de segunda-feira.

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