Do Buraco da Memória para ajudar a pensar o Brasil, um país que vive de esquecer, vive de não enfrentar a devida reconstrução de uma vida democrática, sem injustiças sociais e sem preconceitos. Vale lembrar excertos do texto de Jefferson Olivatto da Silva apresentado no X Congresso de Pesquisadores Negros em 2018, em Uberlândia/MG, “Reflexões sobre o racismo no ensino superior pela interface entre Neuropsicologia e Antropologia da Educação”. Para lembrar que o ensino superior e uma universidade não são definitivamente espaço e forma totalmente democráticos. É um fato: universidades não são tomadas apenas por ideias e professores de “esquerda”. Muitos preconceitos, conservadorismo, radicalismos de extrema direita estão vivos no ambiente das universidades brasileiras. É isso que Jefferson Olivatto da Silva não nos deixa esquecer quando ele fala de racismo e de quanto ainda precisa ser feito para superar a cadeia de ódios e repulsa que forma o racismo, visto e vivido até mesmo em um ambiente escolar universitário.

“O debate na psicologia brasileira acerca do racismo teve seu impulso a partir da Declaração de Durban de 2001, na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, impulsionando a criação da Resolução 018/2002 pelo Conselho Federal de Psicologia, precedendo inclusive a promulgação da lei 10.639/2003 no Brasil. Todavia isso não significou uma adoção devida na prática psicológica, no cotidiano de todos Conselhos Regionais de Psicologia nem sua efetividade na formação profissional. Nesse sentido, objetivamos refletir sobre o processo educativo das universidades que reproduzem condicionantes racistas como um ambiente que possui condições cognitivas e emocionais de superação. Para tanto, considerando o racismo como uma violência social ele se reproduz no cotidiano escolar das universidades. Dessa forma, por meio da interface entre Antropologia da Educação e Neuropsicologia interpretaremos as condições do cotidiano universitário que promovem o racismo, mas que pode, no mesmo sentido, produzir novas aprendizagens emancipatórias. Por fim, apontamos que diante de affordances e da plasticidade cerebral dependente da experiência podemos vislumbrar novos caminhos pedagógicos, rompendo com práticas racistas e instituindo caminhos acolhedores para a experiência escolar de estudantes negros e indígenas.”
“Considerando o racismo como uma violência social ele se reproduz no cotidiano escolar das universidades”
O autor lembra que a reconstrução de um ambiente democrático e de respeito ao outro passa pela própria ideia de democracia comunicada, de um modo de vida. “Ao consideramos que o processo educativo precisa ser entendido em seu aspecto fenomenológico, a aprendizagem torna-se sinônimo de tempo, experiência e vida, nas palavras do filósofo John Dewey (2003), em Experiência e Educação. Nesse sentido, a experiência é fundante para entendermos a relação entre as barreiras educacionais criadas por atitudes de violência e segregação e a superação de acadêmicos/as que sofreram tais atitudes e que, por diferentes enfrentamentos com maior ou menor sucesso, buscaram resoluções distintas para sua formação. Portanto, pela via da plasticidade cerebral dependente da experiência podemos evidenciar tais circunstâncias”.






















