O anúncio do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, de que irá impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras ao país a partir de 1º de agosto causou preocupação no final da tarde desta quarta-feira (09.07). O anúncio pode refletir em Mato Grosso, maior estado exportador de commodities agrícolas do país.
Os Estados Unidos não estão entre os principais destinos dos produtos mato-grossenses e ocuparam apenas a 17ª posição no ranking de países importadores em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No ano passado, Mato Grosso exportou US$ 415 milhões aos EUA, bem menos que os mais de US$ 9 bilhões enviados à China, principal parceiro comercial do estado. Apesar disso, pode haver impacto sobre setores estratégicos do agro, como a pecuária e a produção de soja e óleo vegetal.
Entre os principais produtos exportados por Mato Grosso aos Estados Unidos em 2024, destacam-se itens do agronegócio, com destaque para a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, que lidera a lista com US$ 148,4 milhões em vendas. Em seguida aparecem o ouro não monetário, com US$ 147,1 milhões, e os óleos e gorduras animais, que somaram US$ 43,5 milhões.
Também integram os itens mais exportados a soja em grão (US$ 39,4 milhões), amidos, colas e subprodutos (US$ 16,8 milhões), madeira parcialmente trabalhada (US$ 13,6 milhões), além de produtos com menor volume financeiro, como álcoois e derivados químicos (US$ 1,7 milhão), óleos vegetais “soft” (US$ 1,6 milhão), hortaliças frescas (US$ 748 mil), frutas secas e frescas (US$ 625 mil) e algodão em bruto (US$ 429 mil). Quase todos esses produtos poderão ser impactados pela tarifa de 50% anunciada por Trump.

Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da qual fazem parte todos os parlamentares de Mato Grosso no Congresso Nacional, a decisão de Trump representa “um alerta ao equilíbrio das relações comerciais e políticas entre os dois países” e atinge “o câmbio, o custo de insumos importados e a competitividade das exportações brasileiras”. A entidade cobrou uma resposta “firme e estratégica” do governo brasileiro que conte com “cautela, diplomacia afiada e presença ativa na mesa de negociações”.
A carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva também contém críticas políticas e acusações infundadas sobre a condução da Justiça brasileira e o tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O norte-americano chegou a dizer que o Brasil promove “ataques às eleições livres” e ameaça a liberdade de expressão de empresas dos EUA.
Em resposta, Lula usou as redes sociais na noite desta quarta para afirmar que o Brasil é um país soberano e que não aceitará ser tutelado por governos estrangeiros. “Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”, escreveu o presidente em sua conta no X (antigo Twitter).
Tendo em vista a manifestação pública do presidente norte-americano Donald Trump apresentada em uma rede social, na tarde desta-quarta (9), é importante ressaltar:
O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.
O processo…
— Lula (@LulaOficial) July 9, 2025

























