Após oito anos de prisão preventiva, o empresário Andreson de Oliveira Gonçalves deixou a penitenciária visivelmente debilitado. Imagens recentes mostram o suspeito muito magro, e um laudo elaborado por uma junta médica confirma o estado frágil de saúde. A Justiça autorizou, na última quinta-feira (17), que ele cumpra prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, em sua residência no município de Primavera do Leste, a cerca de 240 km de Cuiabá.

Andreson é apontado pelo Ministério Público como suposto lobista em um esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a investigação, ele teria uma atuação central no esquema, com papel de comando e forte ingerência, articulando decisões judiciais favoráveis por meio de uma rede que envolveria intermediadores, advogados e servidores públicos.
Os fatos vieram à tona após a morte do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em Cuiabá, em 2024. Uma perícia no celular da vítima revelou diálogos, trocas de mensagens e supostos indícios da atuação de Andreson no esquema.
A partir das evidências extraídas do aparelho, o Conselho Nacional de Justiça determinou o afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por envolvimento nos mesmos fatos investigados.
A defesa de Andreson ainda não se pronunciou oficialmente sobre o mérito das acusações, mas reiterou ao longo do processo que o empresário é vítima de uma prisão prolongada e injusta, sem sentença condenatória definitiva. O caso segue sob segredo de Justiça.























