O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria em busca de uma nova anistia para escapar das consequências jurídicas de suas ações recentes, segundo análise do jornalista Octávio Guedes, da GloboNews. Em comentário veiculado nesta semana, Guedes afirmou que Bolsonaro tenta, nos bastidores, viabilizar a “terceira anistia” de sua vida política — expressão que tem repercutido por sintetizar três momentos em que o ex-mandatário se viu diante da possibilidade de ser excluído da vida pública, mas conseguiu evitar punições.

A primeira anistia mencionada por Octávio Guedes remonta à década de 1980, quando Bolsonaro, então oficial do Exército, foi acusado de insubordinação e de planejar atos de sabotagem contra a corporação. Apesar das evidências reunidas à época, o Superior Tribunal Militar (STM) o absolveu, permitindo sua saída com a patente de capitão e a entrada na política institucional.
A segunda “anistia” teria ocorrido ao longo de seus mandatos como deputado federal. Bolsonaro foi alvo de processos por declarações polêmicas, discursos de ódio e ofensas a colegas parlamentares. Mesmo com reiteradas quebras de decoro, escapou de punições mais duras graças ao apoio político que angariou ao longo dos anos.

Agora, afirma Guedes, Bolsonaro tenta costurar sua terceira anistia: uma proposta legislativa que o livraria de processos decorrentes da tentativa de golpe após as eleições de 2022 e dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A articulação inclui projetos já apresentados por aliados no Congresso, que pedem anistia ampla a civis e militares envolvidos nas ações antidemocráticas — o que, na prática, também poderia beneficiá-lo diretamente.
A ideia, no entanto, enfrenta forte resistência de setores do Congresso, do Judiciário e da sociedade civil. Juristas apontam que anistiar crimes contra a democracia pode significar a legitimação de futuros atentados ao Estado de Direito. Já parlamentares da oposição consideram a proposta uma afronta à Constituição de 1988 e uma tentativa de apagar os crimes cometidos.
Enquanto isso, Bolsonaro mantém intensa agenda política, tentando manter sua base mobilizada e pressionar o Legislativo. Para Octávio Guedes, trata-se de uma estratégia de sobrevivência: “Bolsonaro sempre viveu no fio da navalha institucional e, mais uma vez, aposta em um perdão político para escapar da Justiça”, afirmou.
A tentativa de garantir uma nova anistia reacende o debate sobre os limites da tolerância democrática e sobre o papel das instituições frente a lideranças populistas com histórico de enfrentamento às regras do jogo político. Para críticos, mais do que perdão, trata-se de cumplicidade com um projeto autoritário que se recusa a reconhecer as urnas e a Constituição.






















