Pesquisar
Close this search box.
SAÚDE E CLIMA

Estudo da UFMT prevê avanço da doença de Chagas na Amazônia com aquecimento global

Pesquisa aponta que mudanças climáticas podem ampliar risco em áreas antes pouco afetadas

Publicidade

Estudo da UFMT prevê avanço da doença de Chagas na Amazônia com aquecimento global
Estudo da UFMT prevê avanço da doença de Chagas na Amazônia com aquecimento global (Foto: Fiocruz)

O avanço das mudanças climáticas pode alterar profundamente o mapa da doença de Chagas no Brasil. Um estudo publicado na revista científica Medical and Veterinary Entomology projeta que, até 2080, o aumento das temperaturas e as mudanças no regime de chuvas favoreçam a expansão do barbeiro, inseto transmissor do Trypanosoma cruzi, causador da enfermidade, em áreas da Amazônia, especialmente no chamado arco do desmatamento.

A pesquisa contou com a participação de cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade Federal do Pará, da Universidade Federal do Maranhão, da Universidade Federal Rural da Amazônia, do Instituto Evandro Chagas e de instituições internacionais. O grupo analisou mais de 11 mil registros de ocorrência de 55 espécies de barbeiros, usando modelos climáticos que simulam diferentes cenários de aquecimento global.

De acordo com o trabalho, em 2050 a distribuição dos vetores deve permanecer relativamente estável. Mas, nas projeções para 2080, o cenário se torna mais preocupante: as condições climáticas tendem a favorecer a presença dos insetos em regiões amazônicas que hoje registram poucos casos da doença.

O risco é maior em localidades onde a vulnerabilidade social se soma a condições precárias de moradia, fator que facilita o contato entre o inseto e humanos. “A combinação de desmatamento, expansão agrícola e mudanças climáticas cria um ambiente propício para a instalação do barbeiro em novas áreas”, resume o artigo.

A contribuição da UFMT se deu por meio do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, no campus de Pontal do Araguaia, com o professor Leandro Schlemmer Brasil, um dos autores principais.

O Brasil é considerado particularmente vulnerável às mudanças climáticas devido à extensão territorial, à diversidade de ecossistemas e à rápida transformação do uso da terra. Segundo o estudo, o arco do desmatamento, região que concentra expansão agropecuária, mineração e conflitos fundiários, reúne as condições mais críticas para a disseminação futura da doença.

Especialistas alertam que a falta de atenção imediata pode levar a um cenário semelhante ao que já ocorreu com outras doenças no país, como febre amarela e sarampo: a queda temporária de casos reduziu a vigilância e abriu espaço para novos surtos.

O estudo recomenda que governos e autoridades de saúde ampliem a vigilância entomológica, invistam em campanhas de conscientização e adotem estratégias adaptativas ao clima para evitar o avanço da doença em populações que historicamente não conviviam com o risco do barbeiro.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza