Representantes de povos e comunidades tradicionais de Mato Grosso se reuniram em Cuiabá, nos dias 29 e 30 de setembro, para a 1ª Oficina de Planejamento Estratégico do Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT/MT). O encontro, realizado no Veneza Palace Hotel, reuniu cerca de 50 participantes entre conselheiros, lideranças comunitárias e membros do governo estadual.

A oficina teve caráter formativo e deliberativo. Além de palestras e debates, os participantes se dedicaram à construção coletiva do Plano Estadual para Povos e Comunidades Tradicionais, considerado um marco para o recém-criado conselho, instituído há dois anos. O evento foi promovido pelo CEPCT/MT em parceria com o Governo do Estado e a Escola de Governo.
O CEPCT/MT é um conselho paritário, com representantes do poder público e de 12 segmentos de povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ciganos, pantaneiros, raizeiros, povos de terreiro, ribeirinhos, benzedeiros, entre outros. O presidente do colegiado, Marcos Antonio Ferreira, destacou que a função do conselho vai além da representação individual de cada comunidade.
“Um conselheiro não fala apenas em nome do seu quilombo ou da sua aldeia, mas de todo o segmento que representa no estado. Isso dá legitimidade para dialogar diretamente com o governo sobre direitos, políticas públicas e combate às desigualdades”, afirmou em entrevista ao PNB Online.
A programação contou com discussões sobre mudanças climáticas, legislação específica para povos tradicionais, agricultura familiar e políticas de financiamento, além de debates sobre ética e o papel dos conselheiros. Outro destaque foi a apresentação do Programa REM MT, voltado à conservação ambiental com inclusão social.
Um dos pontos altos do encontro foi o lançamento do mapeamento socioambiental dos povos e comunidades tradicionais de Mato Grosso, coordenado pelo professor João Castrillon Fernandes, da Unemat. O levantamento, realizado ao longo de vários anos, traz informações inéditas sobre quem são, onde estão e quantos são os povos tradicionais do estado.

Segundo Ferreira, o mapeamento será uma ferramenta importante para a formulação de políticas públicas. “Agora temos dados concretos que permitem ao governo saber exatamente onde estão essas comunidades e como chegar até elas com ações efetivas”, explicou.
O evento também marcou o início da elaboração de um documento estratégico que vai orientar a atuação do conselho nos próximos anos. A expectativa é que o plano funcione como referência para ampliar o reconhecimento, garantir direitos e assegurar a sustentabilidade cultural e ambiental desses grupos.
“Nosso objetivo é reduzir as desigualdades históricas no acesso a serviços públicos e fortalecer a manutenção das comunidades tradicionais, respeitando seus conhecimentos e modos de vida”, disse o presidente do CEPCT/MT.


























