
O número de etnias indígenas reconhecidas em Mato Grosso cresceu 31% entre 2010 e 2022, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24.10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado passou de 149 para 195 etnias no período, acompanhando uma tendência nacional de ampliação da diversidade étnica identificada no país.
A população indígena mato-grossense também aumentou. O Censo 2022 registrou 59.972 indígenas vivendo no estado, 16,5 mil a mais do que os 43.438 contabilizados em 2010. O crescimento reflete tanto o avanço dos processos de autoidentificação quanto a melhoria na captação de dados pelo IBGE.
No Brasil, o número de etnias indígenas passou de 305, em 2010, para 391, em 2022. A população indígena praticamente dobrou no mesmo período, chegando a 1,69 milhão de pessoas, das quais quase três quartos (74,51%) declararam pertencimento étnico. As etnias mais populosas do país são Tikúna (74.061 pessoas), Kokama (64.327) e Makuxí (53.446).
Segundo o IBGE, o aumento expressivo da diversidade étnica se explica por múltiplos fatores, entre eles, movimentos migratórios, processos de reemergência étnica e maior valorização da identidade indígena. “Depois de anos de ocultação para lidar com o racismo, principalmente no contexto urbano, se reúnem condições favoráveis para a declaração do pertencimento étnico”, disse Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE.
Em Mato Grosso, o avanço pode estar relacionado à presença de importantes Terras Indígenas, como o Parque do Xingu, e ao fortalecimento de movimentos de valorização cultural e linguística. O estado é o terceiro com maior número de Terras Indígenas do país, segundo dados do próprio instituto.
O Censo também identificou 295 línguas indígenas faladas no Brasil, um aumento em relação às 274 registradas em 2010. O número de pessoas indígenas de cinco anos ou mais que falam uma língua indígena passou de 293,8 mil para 434 mil. Apesar do crescimento absoluto, a proporção caiu, de 37,35% para 28,51%, reflexo do avanço do português nas aldeias.
Dentro das Terras Indígenas, porém, o uso das línguas nativas se manteve mais forte, subindo de 57,35% para 63,22% entre 2010 e 2022. “O avanço do português está ligado à necessidade crescente de uso da língua nacional em escolas e no trabalho, mas há também ações de revitalização e fortalecimento das línguas indígenas, principalmente nas comunidades jovens”, observou Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE.
O levantamento mostra ainda que as condições de vida dos povos indígenas seguem marcadas por desigualdades. A taxa de analfabetismo caiu de 32,1% para 21,4% em 12 anos, mas ainda é mais alta entre aqueles que falam apenas línguas indígenas. Já no saneamento, as principais etnias do país enfrentam precariedades: entre os Tikúna, 74% vivem em domicílios sem acesso à água encanada, e mais de 90% não têm esgotamento sanitário adequado.
Em nível nacional, São Paulo é o estado com maior número de etnias reconhecidas (271), seguido pelo Amazonas (259) e pela Bahia (233). Em Mato Grosso, o aumento no número de etnias acompanha uma realidade de forte diversidade interna, marcada pela presença de povos como Xavante, Kayapó, Bororo e Paresi, entre outros.























