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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A UFMT deve uma punição exemplar aos criadores da lista com mulheres mais “estupráveis”

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O caso ganhou repercussão nacional, uma vergonha a mais para a imagem de Mato Grosso, o estado campeão de feminicídios e violência doméstica: alunos do curso de direito da UFMT criaram lista com mulheres mais “estupráveis”. Essas mulheres são suas colegas, estudantes do curso de direito, e jovens de outros cursos. A UFMT deve fazer a lição de casa: investigar e punir os autores desta promoção criminosa de violência sexual contra as alunas da instituição.

Foto: Reprodução

O caso veio à tona após o vazamento de mensagens trocadas entre os suspeitos. Universidade abriu PAD para investigar o caso. A investigação precisa ser transparente e complementar à investigação aberta pelo Ministério Público. O mais grave é considerar o caso como uma brincadeira de alunos homens. A lista é um estímulo à violência contra a mulher, gerada dentro de uma universidade, o que torna a situação ainda mais grave, além de vexatória para a comunidade acadêmica.

A jornalista Mirelle Pinheiro, do site nacional Metrópoles, fez um registro do caso:

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar estudantes do curso de direito suspeitos de criar e divulgar uma lista que classificava alunas como “estupráveis”. O caso veio à tona após o vazamento de mensagens trocadas entre alunos que gerou revolta e protestos realizados por estudantes no campus de Cuiabá, na segunda-feira (4/5).

A coluna obteve acesso aos prints das conversas e, em um deles, o envolvido diz: “Vou brocar uma na primeira semana”. Em resposta ao comentário feito pelo colega em que diz ter “gótica e roqueira” no curso de engenharia, ele ainda responde: “Na minha tem também. Com piercing na boca. Vou molestar.”

Durante a troca de mensagens, os estudantes ainda combinam de fazer um “ranking de alunas mais estupráveis dos cursos”.

Após a realização das denúncias, uma das estudantes ainda afirmou que o suspeito estava procurando pelas pessoas que denunciaram.

 O que diz a Universidade?

Em nota, a UFMT repudiou o episódio e afirmou que já adotou medidas administrativas para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos.

“A Universidade Federal de Mato Grosso repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica”, declarou a instituição.

A universidade também informou que o procedimento disciplinar foi instaurado conforme a legislação vigente e as normas internas da instituição. A apuração ficará sob responsabilidade da Comissão de Processo Disciplinar Estudantil. A conferir a agilidade e o resultado do processo interno de investigação.

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Comunicação pela UFMG.

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