A pesquisa desenvolvida pela jornalista e pesquisadora Rose Domingues, em parceria com o professor Pedro Pinto de Oliveira, colocou o estado de Mato Grosso entre os trabalhos apresentados na Compós 2026, principal encontro científico da área de Comunicação do país. O artigo Orgulho Agro no TikTok: juventude, status e o campo idealizado integrou a programação do Grupo de Trabalho Consumos e Processos de Comunicação, um dos espaços mais concorridos do evento.
Realizada entre os dias 9 e 12 de junho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, a Compós (encontro anual promovido pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação) reuniu pesquisadores das principais universidades brasileiras para discutir o tema Saberes Ancestrais e Novos Horizontes da Pesquisa em Comunicação.
O estudo apresentado, atualmente desenvolvido no âmbito do doutorado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM, é resultado de uma investigação iniciada no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGCOM-UFMT), sob orientação do professor Pedro Pinto de Oliveira. Entre 26 artigos submetidos ao GT, apenas 12 foram selecionados para apresentação, sendo este o único trabalho mato-grossense aprovado no grupo.
A pesquisa analisa como a campanha publicitária “Agro é Tech, Agro é Pop, Agro é Tudo”, lançada em 2016, continua produzindo sentidos na cultura digital anos após sua circulação original. A partir da análise de 40 vídeos de grande alcance no TikTok, o estudo identificou que o agronegócio passou a ocupar um espaço que ultrapassa a dimensão econômica, sendo representado como estilo de vida associado à inovação, à tecnologia, ao empreendedorismo e ao orgulho de pertencer ao setor.

Os resultados apontam que o agro vem se consolidando como uma referência cultural e identitária nas redes sociais, mobilizando valores, comportamentos e formas de pertencimento compartilhadas por milhões de usuários. Segundo a autora, o mapeamento identificou a emergência de novas figuras sociais ligadas ao universo rural, especialmente os chamados agroboys e agrogirls, personagens que ocupam lugar de destaque nos conteúdos que viralizam na plataforma.
“O que chama atenção é que o agro aparece cada vez mais associado a performances de estilo de vida, tecnologia, consumo e pertencimento. Em muitos casos, o foco deixa de estar na atividade produtiva em si e passa a se concentrar nas formas como o setor é representado e compartilhado nas redes sociais”, explica Rose Domingues.
Além da apresentação do artigo, a participação no evento proporcionou o intercâmbio com pesquisadores de referência vinculados a grandes instituições como USP, UFPE, UFRGS, ESPM e PUC. Durante dois dias de intensos debates no GT, os participantes discutiram seus estudos em profundidade, contribuindo mutuamente para o amadurecimento das investigações e para a construção de novas agendas de pesquisa no campo da Comunicação e do Consumo.
A trajetória da pesquisa em 2026 também incluiu sua apresentação, em parceria com o professor doutor Dôuglas Ferreira (UFMG), no XX Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp), realizado em maio, em Salvador (BA). Ainda conquistou espaço em dois dos principais eventos internacionais da área no mês de julho: o XIX Congresso Ibero-Americano de Comunicação (Ibercom), em Braga, Portugal; e o XVIII Congresso da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (ALAIC), em Monterrey, no México.

Para o professor Pedro Pinto de Oliveira, os resultados demonstram a maturidade da pesquisa em Comunicação produzida em Mato Grosso e a capacidade do estado de contribuir para debates de alcance nacional e internacional.
“O PPGCOM da UFMT tem desempenhado um papel importante na formação de pesquisadores comprometidos com a produção de conhecimento de qualidade e conectada aos desafios contemporâneos da sociedade. A presença cada vez mais frequente de pesquisas desenvolvidas no programa em espaços qualificados de debate científico demonstra a relevância e a consistência do trabalho que vem sendo construído ao longo dos últimos anos”, afirma.
























