O Centro-Oeste brasileiro registrou 8.768 mortes em decorrência do diabetes entre 2023 e 2024, segundo o estudo “Padrões de Mortalidade por Diabetes Mellitus no Brasil”, publicado em novembro de 2025. O dado, que reforça a importância do Dia Nacional de Combate ao Diabetes, celebrado em 26 de junho, acompanha uma mudança preocupante no perfil dos pacientes atendidos nos consultórios. Antes considerada uma condição predominantemente associada aos idosos, a resistência à insulina e o pré-diabetes passaram a ser diagnosticados com frequência em adultos jovens, adolescentes e até crianças.
“O grande perigo dessa condição está justamente em sua evolução silenciosa, muitas vezes não detectada pelos exames de rotina”, alerta a médica Renata Bussuan, coordenadora nacional do curso de pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica. “Há pacientes com níveis pouco alterados de glicemia de jejum e hemoglobina glicada aparentemente controlada ou pouco aumentada, mas que já apresentam alterações significativas após a sobrecarga de glicose”, explica.
Por isso, a médica destaca a importância do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG), exame que avalia a resposta do organismo após a ingestão de uma carga de açúcar e permite identificar indivíduos com alto risco de desenvolver a doença antes mesmo de sua consolidação.
A especialista ressalta que o pré-diabetes representa um estágio intermediário da doença e exige intervenção imediata. “O mais importante é compreender que não se trata apenas de uma alteração laboratorial”, afirma. Segundo ela, o quadro indica que o organismo já apresenta dificuldades para metabolizar a glicose devido à sobrecarga do pâncreas.
Esse processo inflamatório tem uma causa cada vez mais frequente nos consultórios. “A gordura visceral, que se acumula na cavidade abdominal e ao redor dos órgãos, produz substâncias que dificultam a ação da insulina”, detalha a médica.
Apesar do elevado número de mortes registradas na região, o diagnóstico não representa um caminho sem volta. A identificação precoce das alterações metabólicas permite reverter o quadro e interromper a progressão da doença antes que ela se torne crônica.
“Na prática clínica, observamos que mudanças no estilo de vida, especialmente a redução da gordura abdominal e a adoção regular de atividades físicas, continuam sendo as estratégias mais eficazes para conter a evolução da doença”, conclui a especialista.
No entanto, o acompanhamento médico é indispensável para monitorar a evolução do quadro, identificar fatores de risco e definir, quando necessário, intervenções mais adequadas para cada paciente”, conclui a especialista.
























