O ex-governador Mauro Mendes (União) faz, em uma única entrevista, um verdadeiro atacadão de críticas aos adversários e uma montanha de autoelogios como “gestor infernal” que mudou Mato Grosso e a vida da população. Atacou a) Wellington Fagundes e b) Pedro Taques; c) revelou todo o desprezo pelo União Brasil, colocando seus interesses pessoais acima dos interesses do partido e dos militantes; d) elogiou Pivetta porque será o mais do mesmo da sua gestão; e) confessou que vai usar a pena de morte como espantalho eleitoral e f) disse, despido de qualquer humildade, posto ser a arrogância a marca profunda do seu caráter: todas as críticas que recebe são dos “invejosos” do seu sucesso político e empresarial no garimpo de ouro.
Sim, a entrevista é um primor de arrogância. Mauro Mendes reduz as críticas que recebe a coisa de “invejosos”. Como se diz na sabedoria popular, se a inveja é uma merda, a arrogância é uma merda também. O resumo da entrevista de Mendes ao site Midianews, com ataques, autoelogios e omissões:
MAURO COMPARA WELLINGTON A UMA FRUTA QUE JÁ PROVOU
Na entrevista, Mauro Mendes faz questão de enfatizar a relação histórica do senador Wellington Fagundes (PL) com o PT e os governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agora como candidato da extrema direita bolsonarista, Wellington Fagundes é chamado de “melancia” pela extrema direita bolsonarista. Verde por fora e vermelho por dentro.
“Talvez esse nome, essa analogia de melancia que foi colocada nele se deve ao fato que historicamente sempre apoiou o governo do PT. Foi um senador aliado do Lula, foi um deputado federal aliado do Lula, aliado da Dilma, sempre esteve aliado. E veio os tempos de Bolsonaro, se aliou a Bolsonaro. Então, isso é um pouco contraditório. Não tem um histórico de direita, tem um histórico de centro e de esquerda. Por isso que houve esta pecha de melancia, com a qual muitos têm identificado o perfil político dele”.
No popular, é muita cara de pau de Mauro Mendes endossar essa crítica de metáfora frutífera. Até o mercúrio usado na extração de ouro nos garimpos de Mato Grosso sabe que Mauro Mendes já foi candidato apoiado pelo PT e já apoiou a candidatura da ex-presidente Dilma. Ele já provou ser esta fruta, ser de direita e apoiar a esquerda, como é natural nas alianças políticas em uma eleição. Só a extrema direita não engole “melancias”.
A DENÚNCIA DE PEDRO TAQUES REDUZIDA À “INVEJA”
O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, pré-candidato ao Senado, protocolou denúncias formais junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público Federal acusando a gestão de Mauro Mendes de suposta malversação e irregularidades no chamado Escândalo da Oi, denúncia de um esquema de corrupção que desviou dinheiro público para fundos ligados a aliados e familiares do Mauro Mendes.
A denúncia mais recente aponta que o governo de Mato Grosso teria colocado os R$ 308 milhões em dois fundos recém-criados pelo Banco Master para efetuar o pagamento à Oi, gerando questionamentos sobre a lisura da operação financeira. Na entrevista, Mauro Mendes diz que Pedro Taques tem inveja dele, tem dor de cotovelo pelo sucesso do governo dele e que Taques é um ser desprezível. Ou seja, ataca o mensageiro, ignorando a gravidade da denúncia.
PIVETTA, UM CANDIDATO A SER MAURO
Ao ser perguntado o que faz do governador Otaviano Pivetta ser um bom candidato, Mauro Mendes, faz um autoelogio. Pivetta é bom candidato porque é o candidato a continuar a “obra genial” dele de transformação de Mato Grosso. Mendes valoriza o histórico de Pivetta como gestor, pronto para dar a continuidade de “Mais Mauro”.
O Pivetta já foi três vezes prefeito de uma das melhores cidades de Mato Grosso e ajudou a construir essa história. O Pivetta está sete anos e três meses comigo, ajudando a governar Mato Grosso. Já foi deputado estadual por um mandato e não se deu bem. Não quis mais voltar para o Legislativo. Por isso que ele tem um perfil adequado.
O DESPREZO PELO PARTIDO
O esquema do discurso de Mauro Mendes é reduzir as críticas do senador Jayme Campos e do deputado estadual Júlio Campos a “ódio”, movidas pelo “fígado”. Os dois líderes políticos criticam a condução do União Brasil por Mauro Mendes, mais preocupado com seus interesses pessoais e empresariais do que lutar pelos interesses do partido e dos militantes. Em óbvio, a crítica é política. É uma crítica em cima de fatos, contra a forma empresarial e pessoal de Mendes no comando o partido.
Mesmo muito bem avaliado em todas as pesquisas, que o colocam acima de Otaviano Pivetta na disputa ao governo, o candidato Jayme Campos é francamente sabotado por Mauro Mendes. O ex-governador confessa: seu compromisso é pessoal com Pivetta. O União que se exploda. Tudo está traçado para tentar barrar a candidatura de Jayme Campos ao governo, mesmo com ele à frente de Pivetta em todas as pesquisas:
Eu só disse que vou apoiar o Pivetta, ninguém vai mudar isso e União Brasil vai apoiar quem ganhar na convenção. A União Progressista vai apoiar de acordo com as regras do estatuto. O que posso dizer é que o União Brasil vai ter convenção, o PP vai ter convenção. Se a decisão for similar nas duas, a federação homologa. Se for diferente, ela toma uma decisão. Se escolhe o caminho A ou o caminho B. E escolhido isso, não está decidido. Vai para a direção nacional decidir qual vai ser o desfecho do partido.
PENA DE MORTE, O ESPANTALHO ELEITORAL DE MAURO MENDES
Na entrevista, Mauro Mendes revela que vai usar a defesa da pena de morte como seu espantalho eleitoral. Vai usar explorando o sentimento de medo e de indignação da população, que vive ameaçada em Mato Grosso pelo poder das facções criminosas, que ficaram ainda mais fortes exatamente durante os últimos anos, no período da gestão de Mendes.
Explorar a emoção ignorando os fatos. A maioria dos países que aboliram a pena de morte ou dos especialistas que a criticam baseia-se em dados empíricos e direitos humanos. Falta de Efeito Dissuasório: estudos criminais de longo prazo mostram que a presença da pena de morte não reduz as taxas de crimes violentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados que mantêm a pena de morte frequentemente apresentam taxas de homicídio maiores do que os estados que a aboliram.
Mauro Mendes se lixa também para a questão da seletividade social, seu propósito é eleitoreiro e seus argumentos são construídos sem nenhum critério de condição social. Estatisticamente, a pena de morte atinge de forma desproporcional as populações mais pobres e minorias étnicas, que não têm recursos para contratar defensores jurídicos de elite.
PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS E A EVOLUÇÃO PATRIMONIAL DA FAMÍLIA
O ex-governador Mauro Mendes jura não ter prometido concluir a obra do VLT, mas entrevistas na TV o desmentem.
Na campanha de 2022, quando disputava a reeleição ao Governo de Mato Grosso, Mauro disse que as obras do BRT poderiam ficar prontas em até dois anos e meio, se fosse vitorioso nas urnas.
Só que, nesta semana, Mauro Mendes afirmou, enfático, que nunca prometeu entregar o modal, mas apenas “encontrar uma solução” para o sistema de transporte. Mauro mente, mas uma mentira com uma dose de verdade da esperteza da meia promessa eleitoreira.
As críticas da oposição também focam na incrível evolução patrimonial e nos negócios da família do ex-governador Mauro Mendes. Concentram-se fortemente na figura de seu filho, o empresário Luís Antônio Mendes, e no expressivo crescimento de suas empresas, especialmente no setor de mineração (ouro) e energia.
O cerne das contestações políticas e dos embates jurídicos envolve acusações de suposto conflito de interesses, favorecimento e problemas com órgãos ambientais e de fiscalização federal. As principais linhas de crítica da oposição destacam os seguintes pontos:
- O Incrível e rápido crescimento empresarial de um Mendes
A oposição questiona como Luís Antônio Mendes, jovem que se formou em Direito em 2020, acumulou em poucos anos participação societária, cargos de administração ou direção em mais de 20 empresas (muitas delas abertas após o início da gestão do pai governador). Os opositores e parte da sociedade usam esse crescimento meteórico para levantar suspeitas de que o sobrenome e a influência política do governador possam ter facilitado a expansão dos negócios familiares no estado.
- Leis de Mineração e Conflito de Interesses
Um dos episódios mais explorados pela oposição foi a sanção, por parte de Mauro Mendes, de um projeto de lei que flexibilizou e permitiu a mineração em áreas de reserva legal em Mato Grosso.
A crítica: Partidos e parlamentares de oposição classificaram a medida como um claro “conflito de interesses”, argumentando que a legislação beneficiava diretamente o setor onde o filho do governador atua agressivamente (ele é ligado a diversas mineradoras, como a Kin Mineração, Mineração Aricá e Minerbras).
- Alvo de Operações da Polícia Federal (Operação Hermes)
A oposição utiliza politicamente o fato de que empresas ligadas a Luís Antônio Mendes foram alvos da Operação Hermes, da Polícia Federal e do Ibama.
A investigação apurou um suposto esquema de compra e uso de mercúrio ilegal para abastecer garimpos, além de ocultação de venda de ouro.
Embora a Justiça tenha negado o pedido de prisão contra o filho do governador por falta de fundamentação jurídica na época, os adversários políticos usam o episódio de forma recorrente para desgastar a imagem de lisura do governo.
- Multas Ambientais Milionárias do Ibama
Recentemente, a Minerbras (empresa de ouro da qual o filho do governador é o único sócio) recebeu uma multa de R$ 4,5 milhões do Ibama por flagrante de uso de mercúrio em desacordo com a licença ambiental e sem comprovação de origem legal em Nossa Senhora do Livramento. A oposição aponta que, enquanto o governo estadual adota um discurso de rigor ambiental, os negócios da própria família enfrentam penalidades graves de órgãos federais.
O Contraponto do Governador e da Família
Mauro Mendes e a defesa de seu filho rebatem veementemente todas as acusações e críticas da oposição, adotando as seguintes justificativas:
Independência dos negócios: O ex-governador reitera que as empresas são do filho, que é maior de idade, formado e possui vida empresarial e financeira totalmente independente da administração pública.
Ataques Políticos e Eleitorais: A gestão classifica as críticas como “narrativas vazias” e oportunismo de adversários políticos que tentam criminalizar a atividade empresarial legalizada.
Defesa Jurídica: Em relação às investigações e multas (como a da Operação Hermes e do Ibama), a defesa de Luís Antônio afirma que todas as operações cumprem as normas vigentes, contesta judicialmente os autos de infração e acusa os órgãos de cometerem excessos e perseguição. O governador e o filho inclusive tentaram acionar a Justiça contra veículos de imprensa que cobriram as operações, alegando difamação, mas tiveram os pedidos negados sob o princípio da liberdade de imprensa.























