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VIOLÊNCIA LETAL

Pecuarista mata ex-companheira em Confresa; feminicídios chegam a 26 em MT neste ano

Levantamento do Observatório Caliandra mostra que junho foi o mês com mais casos; desde 2019, estado registra 364 mortes.

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(Foto: Reprodução)

Chega a 26 o número de feminicídios registrados em Mato Grosso em 2026, segundo dados compilados pelo Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público Estadual, com informações da Polícia Civil.

O caso mais recente é o assassinato de Daiany Rodrigues de Souza, 33, morta a facadas no último sábado (04.07), em um bar de Confresa, a 1.160 km de Cuiabá. O suspeito, o pecuarista José da Cruz Evangelista, 63, está preso desde o dia do crime, após se apresentar à Polícia Civil acompanhado de um advogado e confessar o feminicídio.

Um vídeo divulgado nas redes sociais, gravado dias antes da morte, mostra José sentado à mesa com Daiany durante uma conversa. Nas imagens, que aparentam ter sido registradas pela vítima, o pecuarista afirma que pretendia matá-la.

Daiany e José não haviam oficializado casamento, mas conviviam desde janeiro e moravam juntos. Segundo as informações da investigação, a vítima tinha uma medida protetiva ativa contra o suspeito. No mesmo mês em que os dois iniciaram a relação, Daiany registrou uma denúncia de violência doméstica e ameaça. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, mas os dois voltaram a conviver posteriormente.

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De acordo com a Polícia Militar, a equipe foi acionada depois que uma testemunha informou que uma mulher havia sido esfaqueada em um estabelecimento no Jardim Planalto. Aos policiais, o proprietário do bar relatou que Daiany e José discutiam no local quando o homem sacou uma faca.

O comerciante tentou impedir a agressão e se colocou na frente da vítima, mas foi atingido por um golpe superficial no braço direito. Ainda conforme o relato, Daiany correu para um dos quartos de uma residência existente na propriedade, mas foi perseguida pelo suspeito. No cômodo, foi atingida por golpes de faca e morreu no local.

Observatório Caliandra

Os dados do Observatório Caliandra mostram que junho foi o mês mais violento de 2026, com sete feminicídios em Mato Grosso. Em março, foram seis casos. Maio teve quatro registros, janeiro e abril tiveram três cada, fevereiro teve dois e julho, até agora, aparece com um caso.

A maior parte dos crimes ocorreu dentro de residências. Dos 26 feminicídios registrados neste ano, 13 aconteceram em casas, sete deles na residência da vítima. Também há registros em via pública, propriedade rural e outros locais.

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As armas cortantes ou perfurantes foram o meio mais usado nos crimes, com 12 ocorrências. Em seguida aparecem asfixia ou estrangulamento, com cinco casos, e arma de fogo, com quatro. Também houve feminicídios por instrumento contundente, atropelamento e espancamento.

Entre as motivações registradas, os dados apontam nove casos relacionados a menosprezo ou discriminação à condição de mulher e outros nove associados a ciúmes, sentimento de posse ou machismo. Separação do casal ou tentativa de rompimento aparece em quatro casos.

O levantamento também mostra que, em 24 dos 26 casos registrados em 2026, as vítimas não tinham medida protetiva contra o agressor. Em dois casos havia medida protetiva. Em relação ao boletim de ocorrência, oito vítimas tinham registro anterior, enquanto 18 não tinham.

Na série histórica do Observatório Caliandra, Mato Grosso soma 364 feminicídios de 2019 a 2026. O maior número anual foi registrado em 2020, com 62 mortes. Em 2025, foram 54 casos, o segundo maior patamar do período.

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