
Mato Grosso teve 85 barragens indicadas por órgãos fiscalizadores como prioritárias para a gestão da segurança em 2025, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026, elaborado pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). O levantamento também registrou no estado um acidente em uma barragem de rejeitos minerais em Nossa Senhora do Livramento e um incidente na UHE Colíder, no norte mato-grossense.
O relatório reúne dados de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025 e apresenta o panorama nacional da Política Nacional de Segurança de Barragens. Em todo o país, há 29.761 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). Desse total, 404 foram indicadas como prioritárias para acompanhamento, mas apenas 213 atenderam ao critério padronizado definido pela ANA.
No caso de Mato Grosso, das 85 estruturas listadas no apêndice do relatório, 11 atendem ao critério padronizado. São barragens que combinam potencial de dano humano, como DPA alto ou médio, com indícios de comprometimento da estrutura ou categoria de risco elevada.
Entre essas 11 estão a UHE Colíder, fiscalizada pela Aneel, e dez barragens ligadas à mineração, fiscalizadas pela ANM. A maior parte fica em Nossa Senhora do Livramento, onde aparecem a Bacia de Rejeitos, Santa Maria, Barragem do Serginho, Jaburu, Neta, BR02 e Barragem Manah 1. Também constam estruturas em Poconé e Pontes e Lacerda.
A barragem Neta, em Nossa Senhora do Livramento, foi a única do estado registrada como acidente no relatório. Segundo a ANA, a ocorrência foi informada em abril de 2025 e envolve uma estrutura de disposição de rejeitos minerais, enquadrada na Política Nacional de Segurança de Barragens e classificada com dano potencial associado alto. O mecanismo principal de falha foi registrado como desconhecido.
Já o incidente ocorreu em 9 de agosto de 2025 na UHE Colíder. A barragem, também enquadrada na política nacional e com dano potencial alto, é fiscalizada pela Aneel. O relatório não associa o caso a evento natural extremo, como chuva intensa ou cheia.
A Sema-MT (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) aparece no levantamento como responsável por 658 barragens cadastradas. Dessas, 48, ou 7%, ainda não haviam sido verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens. O percentual é menor que a média nacional: no Brasil, 48% das barragens cadastradas ainda não tinham informações suficientes para essa verificação.
O relatório também mostra que, entre as barragens sob fiscalização da Sema em Mato Grosso, 502 têm índice de completude de informação considerado ótimo, 81 bom, 46 médio, 28 baixo e 1 mínimo. O indicador mede a qualidade e a disponibilidade dos dados cadastrados no sistema nacional.
No recorte regional, o Centro-Oeste tem 5.549 barragens cadastradas. A maior parte é usada para regularização de vazão, irrigação e dessedentação animal. A região tem 2.317 estruturas ainda não verificadas quanto ao enquadramento na política nacional, 729 enquadradas e 2.503 não enquadradas.
Em todo o país, o RSB 2026 registrou 18 acidentes e 23 incidentes com barragens em 2025. A ANA afirma que não houve registro de mortes nas ocorrências relatadas, mas houve pessoas afetadas em quatro acidentes e em um incidente. Segundo o relatório, chuvas intensas ou cheias estiveram associadas a 66% dos casos registrados.


























