Todo mato-grossense sabe, não importa se do campo ou cidade, o que é uma erva daninha. É uma planta que nasce em área de cultivos, mas não foi plantada, é uma espécie invasora. Assim é a extrema direita no mundo todo, especialmente em Mato Grosso. Invadem as redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e as mentes mais fragilizadas ou oportunistas e plantam mentiras, discursos de ódio e violência verbal.
Mato Grosso é hoje um celeiro da extrema direita. Não somente grãos são aqui cultivados, mas também adeptos do autoritarismo agora travestidos de democratas trabalhando contra a democracia: estão na estrutura do estado, no meio empresarial, nas escolas. O mais grave é que a população do estado está embarcando nesta nau, cujo naufrágio nos países de ditadores já é historicamente conhecido.
Basta recuperar a memória e olhar para a Alemanha nazista, Itália fascista e Japão imperialista, o Eixo na Segunda Guerra Mundial; olhar para as ditaduras militares na Argentina e no Brasil; olhar para os quase 35 anos sangrentos do ditador Alfredo Stroessner, no Paraguai; para os 17 anos mais sanguinários na história do Chile, do ditador Augusto Pinochet; para Portugal de Salazar, para a Espanha de Franco. A lista de ditadores é grande, não cabe no espaço deste artigo. Bolsonaro só queria ser um deles, e ainda quer, usando o Brasil como palco de seu extremismo.
Como não poderia deixar de ser, onde a direita se permitiu ser cooptada pela extrema direita, colhe-se mais violência e cada vez mais ervas daninhas na política. O estado do Rio de Janeiro, todos já sabem, é o grande exemplo nacional: ervas daninhas no parlamento, no Judiciário, na estrutura de governo, nas milícias, nos jogos clandestinos, nas comunidades. Não também por acaso, foi ali que nasceu o bolsonarismo. Mato Grosso precisa olhar seriamente para a história.
É inegável a força política da família Bolsonaro no Estado de Mato Grosso. Agora, qual mato-grossense de direita é capaz de indicar pelo menos um projeto de transformação social e alcance nacional voltado para a maioria da população brasileira que foi aprovado e virou lei nos 27 anos em que Jair Bolsonaro ficou na Câmara Federal? Não tem. Nem dele, nem de seus filhos Flávio e Eduardo.
Como deputado e presidente, o ex-presidente hoje preso, sempre adotou posturas reacionárias, defendeu torturadores do regime militar, adotou posturas fascistas e ofendeu mulheres. Jair Bolsonaro, assim como seus seguidores mais próximos, sabia que religião e nacionalismo são as duas forças principais da direita, então resolveu se batizar no icônico Rio Jordão e se apropriar da Bandeira Nacional para se mostrar um homem de Deus e patriota.
Um dos grandes aliados da extrema direita é o fanatismo religioso. De repente todos os políticos extremistas tornaram-se devotos de Deus, mas sua missão primeira não é estar ao lado da população, mas usar a devoção e o respeito ao legado de Cristo como arma para alcançar o poder e se enriquecer ainda mais. Para isso basta olhar as declarações de renda de muitos políticos antes e depois das eleições.
Para a extrema direita, as pessoas, indivíduo por indivíduo, são os degraus que os extremistas pisam para subir e alcançar o poder. Por essa razão os extremistas são contra a urna eletrônica: não conseguem controlar o voto no ato da votação. Quando o voto era manual, por cédulas, era comum a compra de votos pelos coronéis da política, usando tanto dinheiro, promessas de emprego quanto chantagem e pressão contra familiares. Denúncias não faltaram. Está na história eleitoral brasileira.
A extrema direita não alcançaria o poder que hoje ocupa no Brasil, mandando inclusive nos conservadores e direitistas tradicionais, se não fosse uma aliança entre o capital financeiro, culto a Deus como ideologia e homens públicos com limite reduzido de escrúpulos, homens e mulheres que se prestam a representar os extremistas no parlamento, no judiciário e no executivo. Olhar para a história e para os mato-grossenses, sobretudo neste momento, é um exercício de sabedoria e cidadania.
























