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ARTIGO

A fraqueza de Trump

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Será que (Donald) Trump está mesmo com essa força toda, mandando e desmandando, interferindo (em) ou super taxando países alheios? Me parece que ele está mais para quem gostaria de deter, realmente, o poder que muitos acham que detém. Ou está como quem ganha R$ 100, gasta R$ 200 e, para cobrir o rombo, se endivida no ritmo de bola de neve e, no final, fica à míngua. Para mostrar sua força, se mete, por exemplo, a intervir nas eleições brasileiras para tentar o retorno ao poder da extrema-direita ou de um candidato menos preocupado com soberania. Como método de persuasão, usa tarifaços e ameaças, estas mais chegadas à fanfarronice, embora seja bom manter sempre um pé atrás. Com ególatra não se brinca.

A dúvida é motivada pelo seu ponto fraco: a realidade interna dos Estados Unidos. Segundo os noticiários mais recentes, quase sete entre 10 cidadãos (69%) norte-americanos desaprovam a condução da economia sob seu governo. O principal motivo, óbvio, está no bolso. Por causa de seus tarifaços, a torto e a direito, o custo de vida do americano médio aumentou. Praticamente, tudo subiu de preço. Dos alimentos mais preferidos (hambúrguer, pizza, frango frito e mac and cheese ou macarrão com queijo) ao café e açúcar, passando por frutas e vegetais, papel e lenço higiênicos, móveis eletroeletrônicos e até autopeças.

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Resumo da ópera: a considerada maior economia mundial não estagnou, mas está desacelerando visivelmente. O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e o poder de compra caíram. (Só para reforçar, cerca de 47 milhões de norte-americanos enfrentam insegurança alimentar e, deste universo, entre 37 e 40 milhões estão vivendo abaixo da linha oficial de pobreza).

Este não é um cenário nada ideal para quem enfrentará uma eleição daqui a pouco mais de dois meses (4 de novembro), chamada de meio de mandato, quando serão eleitos os 435 membros da Câmara dos Deputados e 1/3 dos senadores, além de governadores, legisladores estaduais e autoridades locais. Seu medo é sair derrotado. Se sair, seu impeachment é quase favas contadas (ele mesmo já reconheceu isso tempos atrás). Como não pode cancelar nem adiar (ainda bem!), tenta contornar a situação e faz o possível para melar o pleito: demitindo pessoas, ameaçando processos, disseminando suspeitas e tentado mudar as regras.

Só não se sabe se ele combinou com seus “patrocinadores” (grandes financistas e empresários que o elegeram). Até que ponto estariam de acordo com quem não só atrapalha seus interesses como tem imagem global cada mais negativa? Segundo pesquisa do Pew Institute, 57% dos entrevistados têm visão negativa dos EUA, enquanto 50% não o veem como parceiro confiável, 63% não acreditam que contribua para a paz e estabilidade global e 66% afirmam que suas decisões são unilaterais, não levando em consideração os interesses de outras nações. Entre os brasileiros, apenas os vira-latas acreditam em Trump, porque para 76% dos entrevistados por aqui, ele não é confiável. Como repetissem o coro: soberania é inegociável.

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Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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