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ARTIGO

Não à hipocrisia

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Por mais que eu tivesse vontade de escrever sobre outro assunto, já que estou em viagem pela América Latina, especificamente na Colômbia, é quase impossível não falar sobre as eleições brasileiras, cujo primeiro turno será daqui a 15 dias. O tal ministro, do STF, terrivelmente evangélico, mais parecido com um terrivelmente pau-mandado, aquele que se sentou na própria cauda para falar mal da cauda alheia, até tentou tumultuar o processo eleitoral, meteu os pés pelas mãos e deu com os burros n’água.

Deve ter pensado que ninguém, exceto a bolha para a qual dirige suas ações, iria reagir à sua tentativa de fazer subir nas pesquisas o filho do pai encarcerado, elegê-lo presidente e depois submeter o Brasil aos interesses norte-americanos, como fizeram mandatários anteriores, seja na ditadura militar de 1964-1985, seja no período imediatamente após sua derrocada. Esqueceu-se, porém, de que nem todos se medem pela sua régua. Por mais que muito de seus pares tenham rabo preso com o banqueiro nascido e enriquecido no governo de quem o indicou para a Suprema Corte, há os éticos, os que defendem nos soberania, como Flávio Dino, Carmem Lúcia e Zanin, por exemplo.

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Deu no que deu. Embora parte da imprensa dominante pense o contrário, foi desmascarado, ao vivo e à cores. Jornalistas independentes mostraram sua estreita ligação com Daniel Vorcaro. Não foi apenas o tal elegante terno. Há também suas defesas de interesses escusos, como o caso dos cemitérios paulistanos, que resultou na promoção de seu irmão a cargos superiores na estrutura da Prefeitura de São Paulo, e sua “amizade” com Cezinha de Madureira, cujo gabinete na Câmara dos Deputados brindou seu cunhado com um cargo. Sem contar o porta-retrato encontrado na residência do deputado com a fotos deles e de suas esposas. Amizade não é crime, desde que os limites republicanos sejam respeitados.

Mudando de foco. Embora basicamente todos os comícios de Flávio Bolsonaro tenham flopado (atraíram pouquíssimas pessoas) e os de Lula estejam sempre cheios, boa parte das pesquisas de opinião mostra pequena diferença entre ambos (a maioria com Lula à frente). É certo que pesquisas sempre estão sujeitas a erros, mas no caso atual há quase sempre muita discrepância. Obviamente, não se pode descartar a influência das redes sociais, muitas vezes manobradas pelos algoritmos das Big-Techs, francamente favoráveis aos escusos interesses norte-americanos, que veem elegendo a maioria dos presidentes latino-americanos. Portanto, esperemos os resultados das eleições brasileiras e torçamos para que, quiçá, mantenham o Brasil fora da onda fascista que atualmente se espalha por todo o mundo.

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Para encerrar, apenas uma lembrança. Nós, os brasileiros nos mantemos de costas para o nosso continente e de frente para o europeu. Com todos os seus defeitos e suas glórias, sua história é semelhante à nossa. Hasta lo próximo. Gracias!

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista em Cuiabá

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