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ARTIGO

Taiwan: paz e resiliência

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A recente reunião em Washington entre os presidentes dos Estados Unidos e da China reacendeu a atenção internacional sobre a competição estrutural entre as duas potências. Embora ambos os lados busquem uma “estabilidade estratégica construtiva” e o controle de divergências, as profundas diferenças econômicas, tecnológicas e de segurança permanecem evidentes. Nesse cenário complexo, gerenciar riscos sem interromper o engajamento diplomático tornou-se uma prioridade crucial para a comunidade internacional diante da ascensão chinesa.

Esse movimento se reflete na consolidação do conceito de “de-risking” (redução de riscos). Países da União Europeia e do G7 não buscam um desacoplamento total em relação à China, mas visam mitigar a dependência excessiva em setores estratégicos, diversificar cadeias de suprimentos e reforçar a própria resiliência. Paralelamente, diversas nações da Europa e do Indo-Pacífico reiteraram na Assembleia Geral da ONU sua firme oposição a qualquer alteração unilateral no status quo do Estreito de Taiwan, sublinhando que a paz e a estabilidade regional estão diretamente interconectadas com a segurança e a prosperidade globais.

Diante desses desdobramentos, a sociedade taiwanesa deve encarar o cenário geopolítico com serenidade. A gestão de riscos adotada pela comunidade internacional em relação à China não equivale a um confronto direto, tampouco significa sacrificar os laços com Taiwan. As políticas voltadas para Pequim e para Taipé podem e devem coexistir de forma paralela. Mantendo canais de comunicação fluidos com parceiros estratégicos, Taiwan demonstra que a cooperação ativa fortalece a estabilidade regional e mitiga eventuais riscos de erros de cálculo.

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Essa visão fundamenta a relevância de consolidar uma “Política de Uma Taiwan”. Embora Pequim tente impor o seu “Princípio de Uma China”, a comunidade internacional pode preservar suas estruturas diplomáticas existentes e, simultaneamente, formular políticas pragmáticas e claras para Taiwan. Como uma democracia consolidada, dotada de sistemas político e econômico próprios, Taiwan é uma entidade soberana e distinta, cujos 23 milhões de habitantes contribuem ativamente para a ordem e a governança globais.

O relacionamento entre Taiwan e os Estados Unidos exemplifica esse arranjo: a política americana baseia-se nos Três Comunicados Conjuntos para a China, mas ampara-se no Taiwan Relations Act e nas Seis Garantias para Taiwan. Essa parceria abrange desde a segurança e autodefesa — impulsionada pelo orçamento militar de Taiwan acima de 3% do PIB — até a cooperação em semicondutores e inteligência artificial, construindo uma verdadeira aliança simbiótica.

Ademais, cresce o entendimento global de que a Resolução 2758 da ONU abordou apenas a representação chinesa, sem mencionar Taiwan. Em suma, Taiwan não deve ser vista como um problema a ser resolvido, mas como uma parceira indispensável para a salvaguarda da paz, da resiliência e do desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

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Lin Chia-lung é ministro de Relações Exteriores de Taiwan

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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