
Mato Grosso deve enfrentar temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado em parte de seu território nos últimos três meses de 2026, sob influência do fenômeno El Niño. A previsão consta na edição de setembro do Painel El Niño 2026–2027, elaborado por instituições federais de monitoramento climático. O cenário é preocupante especialmente para o setor agropecuário, diante dos possíveis impactos sobre o plantio e o desenvolvimento das lavouras de soja, milho e feijão.
Segundo o boletim, a previsão para o trimestre de outubro a dezembro indica precipitações abaixo da média histórica no norte de Mato Grosso. No centro-norte do estado, a combinação entre chuvas insuficientes e temperaturas elevadas poderá reduzir o armazenamento de água no solo, comprometendo a semeadura e o estabelecimento das culturas de primeira safra.
Os pesquisadores alertam para o risco de falhas na germinação das sementes, redução da população de plantas e necessidade de replantio em lavouras de soja semeadas precocemente. Essas condições podem afetar o início da safra 2026/2027, especialmente nas regiões onde as chuvas demorarem a se regularizar.
A previsão indica que a estação chuvosa na porção central do Brasil poderá começar entre o final de outubro e meados de novembro. A partir de novembro, a recuperação da umidade do solo deverá favorecer o desenvolvimento das lavouras e das pastagens no Centro-Oeste.
Apesar dos riscos previstos para os próximos meses, Mato Grosso apresenta atualmente uma situação de seca mais favorável do que a registrada durante o El Niño de 2023.
De acordo com o Monitor de Secas, em agosto de 2023 havia áreas do estado atingidas por seca grave e até extrema. Já em agosto deste ano, predominavam áreas sem registro de seca. O boletim destaca que essa diferença contribui para uma condição inicial mais amena no Centro-Oeste, embora não elimine os riscos associados à redução das chuvas nos próximos meses.
O boletim é produzido conjuntamente pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

























