Sinceramente, não esperava o resultado da eleição de ontem. Era óbvio que não seria fácil e que uma possível vitória no primeiro turno não passava de um sonho distante, embora muitos desejassem que isso acontecesse, especialmente para quem preza viver num estado democrático, cujos governantes se preocupam em governar para toda a sociedade e não para um seleto grupo.
Voltando ao resultado. O início pareceu normal, como se repetindo 2022, quando Lula ultrapassou Bolsonaro pai aos 70% das urnas apuradas. Torcíamos para que isso acontecesse, mas ao mesmo tempo com o coração na boca com medo de que o contrário acontecesse. Chegou quase à metade das urnas apuradas e nada. A extrema-direita ainda tinha mais de 50% dos votos. Só mesmo aos 64,81% das urnas apuradas é que o risco de uma derrota ainda no primeiro turno acabou. E, aos poucos, a diferença, que chegara a mais de cinco milhões de votos, foi caindo. Paulatinamente, à medida que o percentual de urnas apuradas ia aumentando. Para 4,9 milhões…, 4,7 milhões…, 4 milhões…, até 2,28 milhões de votos, quanto a apuração chegou a 99,90%.
Haverá um segundo turno. Graças, mais uma vez ao glorioso Nordeste Brasileiro, cujos estados, todos sem exceção, se coloriram de vermelho. Destaque para a Bahia, que colocou mais de 3 milhões (de votos) de frente; seguido por Ceará e Pernambuco, ambos com quase dois milhões; Maranhão, com mais de um milhão. Mais uma vez, o Brasil se dividiu. Nordeste e boa parte do Norte se pintaram de vermelho, enquanto o Sul Maravilha e o Centro-Oeste do agronegócio optaram pelo azul.
Fiquei pensando se um ET tivesse descido no Brasil umas três semanas antes das eleições de ontem. Imagino que ele, ao ver toda a movimentação nas ruas em todo o país, tanto nas metrópoles quanto nas mais pequenas cidades, jamais pensaria no que aconteceu nas urnas neste domingo. Um candidato atraía centenas de milhares de pessoas aos seus comícios, enquanto o outro flopava. No entanto, o que flopava venceu esta primeira etapa.
Ele diria, me aventuro a pensar, que a pressão externa, claramente trumpista e sua cavalaria (como se comandada pelo General Custer), aliada às censuras impostas por ministros bolsonaristas, a opção da imprensa preponderante em abafar os casos de corrupção envolvendo o candidato da extrema-direita e, simultaneamente, tentar atribuí-los a quem os combateu, foram fundamentais no resultado destas eleições.
Um resultado que nos fez perder nomes importantes em nosso legislativo como Fabiano Contarato, do Espírito Santo; Benedita da Silva, do Rio de Janeiro; Simone Tebet e Marina Silva, que concorreram por São Paulo; Gleisi Hoffman, pelo Paraná; Manuela D’Ávila, pelo Rio Grande do Sul; e Randolfe Rodrigues, do Amapá. Para tentar mitigar esta grande perda sofrida pelo parlamento brasileiro, só resta ao campo progressista tentar reverter este resultado do Primeiro Turno. Quem já viveu uma ditadura, sabe do que se está falando.
Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

























