TJMT

A juíza da Segunda Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Cristiane Padim da Silva, condenou a três anos de internação a adolescente que matou Isabele Ramos Guimarães, de 14 anos, em julho de 2020, em um condomínio de luxo de Cuiabá. A decisão foi decretada na tarde desta terça-feira (19). A jovem foi detida ainda na noite de terça e já está em reclusão.
Na decisão que condena a adolescente por ato infracional análogo a homicídio doloso, a juíza relembra todos os processos investigatórios do caso e afirma que a jovem agiu com “frieza e hostilidade” durante o crime e que deve permanecer em internação em sistema socioeducativo como determina o Estatuto da Criança e Adolescente. Confira o trecho final da decisão:
“Concluo que a execução imediata da sentença atende aos preceitos do ECRIAD, principalmente no que concerne a imprescindibilidade da prioridade absoluta e a celeridade da intervenção Estatal na proteção das crianças e dos adolescentes, evidenciando o caráter pedagógico e responsabilizador da internação determinada em face da adolescente que aos 14 anos de idade ceifou a vida de sua amiga, também de 14 anos de idade, em atuação que estampou frieza, hostilidade, desamor e desumanidade”, diz trecho da sentença.
Adolescente já está detida
Assim que recebeu a confirmação de sua condenação, a adolescente se apresentou na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) da capital, por volta das 19h. Ela estava acompanhada de seus pais e ninguém se pronunciou à imprensa.
A jovem passou por exame de corpo delito e em seguida foi transferida para o Centro de Ressocialização Menina Moça (anexo feminino do socioeducativo do Pomeri), por volta das 21h, onde deve permanecer pelos próximos três anos.
Arquivo pessoal/Reprodução

Relembre o caso
Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morreu após receber um tiro no rosto na noite do dia 12 de julho, no condomínio Alphaville, em Cuiabá. A versão inicial seria de que o tiro foi disparado de forma acidental, o que foi desmentido durante as investigações do caso que duraram cerca de 50 dias.
As investigações concluíram que o tiro disparado pela adolescente que motivou a morte de Isabele foi realizado de forma intencional. Dessa maneira, o inquérito policial indicou um ato infracional análogo a homicídio doloso, quando há intenção de matar ou quando se sabe o risco de produzir morte. O que foi o caso da adolescente, já que ela e toda sua família são de atiradores esportivos e sabem manusear armas.
O pai da adolescente Marcelo Cestari, de 46 anos, também foi indiciado e responde por porte ilegal de arma de fogo, por homicídio culposo, pelo fato de agir com negligência com as armas dentro de sua residência, fraude processual e pelo crime de entregar arma à adolescente.






















