Gabriel Aguiar/Sesp-MT

Mato Grosso registrou 160 boletins de ocorrência de crimes contra o público LGBT entre janeiro e agosto deste ano. Desse total, quatro tratam-se de homicídios, quatro de suicídios e duas mortes ainda a esclarecer. Os dados são do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
Apesar do número de registros ter dobrado em comparação com o mesmo período de 2019 – que teve 77 boletins e cinco homicídios – o secretário do GECCH, tenente-coronel PM Ricardo Bueno, acredita que o aumento não significa necessariamente que foram cometidos mais crimes contra esse público, mas que o número de denúncias pode ter aumentado.
“A violência contra o público LGBT sempre existiu, no entanto ela foi muito tempo silenciada. Somente no ano passado tivemos uma mudança significativa no aspecto jurídico deste tipo de crime com a punição prevista na Lei de Racismo. Isso contribuiu muito com o aumento de denúncias, já que as pessoas se sentem mais encorajadas e respaldadas pela lei”, pontuou o secretário do GECCH.
Outro fato destacado pelo tenente-coronel, é que a partir da criminalização surgiu uma série de campanhas educativas nos meios de comunicação, com a indicação de canais de denúncia, gerando uma maior mobilização tanto por parte das vítimas, quanto por parte da população que presencia algum de tipo de crime contra este público.
Sesp-MT

Capacitação
Os 30 novos delegados empossados participaram de um minicurso de capacitação ministrado pelo GECCH para atendimento do público LGBT. Durante a aula, os delegados tiveram acesso a conhecimentos acerca de orientação sexual e identidade de gênero, além da aplicabilidade da Lei Maria da Penha para mulheres trans.
O minicurso também contou com a colaboração de duas mulheres transexuais que compartilharam experiências e vivências com os delegados da Polícia Judiciária Civil (PJC).






















