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EDUCAÇÃO PÚBLICA CIVIL

Tudo dominado: é fim do debate sobre a “escola-quartel”?

O líder do governo Mauro Mendes (União) diz que a polêmica sobre a criação das chamadas “escolas cívico-militares” está encerrada e que o projeto irá à segunda votação na Assembleia em 2024.

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O deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) defendeu o projeto de Lei do Governo Mauro Mendes que pretende implementar mais escolas cívico-militares em Mato Grosso. O projeto é de viés autoritário, inspirado na ideologia da extrema direita bolsonarista, mas ele acredita que “não há polêmicas sobre a qualidade desse sistema de ensino”, segundo afirmou ao site Midianews.

A proposta deve seguir para segunda votação na Assembleia Legislativa apenas no ano que vem, mas ele garantiu que os debates necessários para a implementação já ocorreram.

“Fizemos as mudanças necessárias, deixamos livre que não é só o militar que poderá participar dessas escolas, mas também a Polícia Civil. Não vejo mais polêmica sobre isso. Estamos ampliando e melhorando a nossa educação com a qualidade cívico-militar dentro das escolas”, acredita o deputado.

A escola cívico-militar é uma ideia da extrema direita bolsonarista, sustentada pelo mito da superioridade moral dos militares em relação aos civis. Tem apelo popular nesta crença falaciosa de que a falta de qualidade da educação pública pode ser suprida pela disciplina militar.

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Transformar a escola civil em “escola-quartel” e estudante em soldado é um sinal claro de que o governo desistiu de uma política de educação pública de respeito à cidadania, de compromisso com valores democráticos, culturais e civis, e não acredita na capacidade dos professores de Mato Grosso de entregar resultados de qualidade.

Se antes tinham apenas policiais militares, agora o projeto incorporou a participação de policiais civis. Isso só interessa às respectivas categorias de não-professores que terão garantido mais um espaço de nomeação e remuneração.

Perguntas que não querem calar

– Para além da disciplina de quartel, qual é a real melhoria da qualidade de ensino que a gestão militarizada entrega para a sociedade?
– Onde falha o modelo atual de educação?
– Quem está fracassando na educação pública de qualidade para o governo Mauro Mendes insistir em convocar os militares para dentro das escolas impondo esta pedagogia fardada?
– O fracasso é dos professores ou do governador?
– O problema é de educação ou segurança pública?

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Muitas questões que comprovam que a polêmica está muito distante de terminar, constatando também que, infelizmente, a sociedade de forma geral e importantes instituições da vida civil estão à margem deste debate numa omissão imperdoável.

desfile cívico-militar
Foto: Christiano Antonucci
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