
Após os deslizamentos registrados em dezembro do ano passado, a área do Portão do Inferno, em Chapada dos Guimarães, tem sido objeto de preocupação crescente. Em entrevista ao Jornal da Cultura nesta segunda-feira (05.02), Wilson Conciani, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília, contratado pelo Governo do Estado de Mato Grosso para consultoria sobre a situação do local, comentou detalhes sobre a instabilidade da região.
“É uma situação bastante antiga que se arrasta há muitos anos. Toda essa área da MT 251 que passa dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães é uma área de cenários muito belos, mas é também uma área de trânsito e está em uma situação delicada”, afirmou Conciani aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
Ele alertou para o risco iminente de um fenômeno semelhante ao que ocorreu em Capitólio, Minas Gerais. Em 2022, a queda de um paredão rochoso matou 10 pessoas e deixou mais de 20 feridos. “Temos instabilidades que podem derrubar grandes blocos sobre a rodovia. O fenômeno que aconteceu em Capitólio pode se repetir em Chapada dos Guimarães a qualquer momento. Existe perigo e ele é latente”.
Questionado sobre as medidas tomadas até o momento, Conciani explica o papel das telas colocadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT). “As telas têm o papel de fixar os blocos imediatamente acima da rodovia, mas ainda há outros blocos que devem ser removidos. Essa técnica é utilizada internacionalmente para segurar os blocos que estão se destacando e evitar que caiam sobre os veículos, mas há os outros blocos e ela não impede que eles caiam na pista”.

Com relação às medidas futuras, Conciani menciona que estão em andamento estudos para oferecer opções ao Governo do Estado. Entre as opções atualmente avaliadas estão recuar a estrada mais para próximo do morro, e a contrução de uma ponte estaiada ou ainda de um túnel.
“Não é uma obra qualquer porque é dentro de um parque nacional. Há que se pensar que é uma Unidade de Conservação não apenas do Brasil. O geoparque e a biosfera do pantanal que fazem parte de Chapada dos Guimarães são patrimônios da Unesco e não podemos desmontar as coisas de qualquer jeito. É preciso ser responsável e cuidadoso”.

















