O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu uma proibição contra a pulverização do defensivo agrícola à base de tiametoxam, um inseticida neonicotinoide, tanto por via aérea quanto terrestre não dirigida. A decisão veio após uma reavaliação ambiental dos agrotóxicos, iniciada em 2012, que identificou riscos potenciais para as abelhas e outros insetos polinizadores devido à deriva do produto.
A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta semana, mantém a permissão de uso localizado no solo do tiametoxam para várias culturas agrícolas, incluindo abobrinha, café, cana-de-açúcar, melão, melancia, pepino e tratamento de sementes de várias outras culturas.
O comunicado do Ibama também estabelece medidas para prevenir danos às abelhas e outros insetos polinizadores, além de exigir ajustes nos rótulos e bulas dos produtos contendo tiametoxam. Produtores que já possuem estoque do agrotóxico poderão utilizá-lo até o final, respeitando as orientações existentes.
A decisão gerou reações diversas entre os produtores e empresas do setor. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil), representando os produtores de soja, prevê prejuízos significativos para a agricultura, apontando a falta de alternativas eficazes e o potencial aumento no uso de produtos mais tóxicos.
Segundo a entidade, “o produto está sendo banido mesmo que não haja um substituto à altura para os agricultores protegerem as lavouras, o que pode significar enormes prejuízos à produção agrícola, elevação dos custos e menor eficiência no combate a pragas”.
O Ibama, por sua vez, sustenta sua decisão no princípio da precaução, citando a mortalidade de abelhas na Europa como um alerta para os possíveis impactos ambientais do tiametoxam. Não há, ainda, evidências conclusivas sobre o impacto direto desses produtos sobre as abelhas no Brasil.




























