A presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo, Solange Menacho, denunciou as dificuldades que motoristas de aplicativo enfrentam para conseguir atendimento via Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Um dos episódios foi vivido pela própria sindicalista, que conta ter sido sequestrada e resgatada pelos colegas motoristas, após quatro tentativas de contato com o Ciosp.
Conforme o relato de Solange, o caso em questão aconteceu no dia 2 de novembro do ano passado. Ela foi sequestrada por volta das 2 horas da manhã e deixada em uma área na estrada de Santo Antônio de Leverger. Ela conta que conseguiu chegar até a estrada e foi socorrida por uma pessoa que passava pelo local e levada até uma lanchonete onde conseguiu falar com colegas motoristas de aplicativo.
“Até que eu consegui que um senhor parasse, ele me auxiliou e me levou para uma lanchonete que estava aberta. Lá eu liguei para o Ciosp por várias e várias vezes, a viatura não foi. […] Eu consegui me comunicar com meus parceiros e eles foram me buscar e me levaram para delegacia”, relatou a presidente do sindicato, durante entrevista ao Jornal da Cultura 90.7, nesta quinta-feira (18.04).
Além desse episódio, a presidente do sindicato revelou que há aproximadamente uma semana um motorista de aplicativo foi assaltado, levaram bens materiais e ele também teve dificuldades para conseguir socorro via Ciosp.
“Um dos maiores problemas que a gente tem é quando a gente liga no Ciosp. É uma demora enorme. Eles querem saber roupa, eles querem saber mais ou menos como a pessoa é. Tanto é que quem sofreu um assalto, naquele momento ele está travado, ele não tem condições. Nós motoristas de aplicativo carregamos as pessoas atrás. Não tem como você estar no retrovisor olhando como é o passageiro”, explicou Solange.
Nesta quinta, a presidente e representantes da categoria devem se reunir com o secretário de Segurança Pública, o coronel da Polícia Militar César Augusto de Camargo Roveri. A categoria vai relatar as dificuldades que encontram ao tentar pedir socorro e também buscar viabilizar a implantação do botão do pânico, como já ocorre em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
A mobilização da categoria ocorre após o brutal assassinato de três motoristas de aplicativo, vítimas de latrocínio – roubo seguido de morte. Três pessoas foram presas e confessaram os crimes, sendo um homem de 20 anos e dois menores. Segundo a Polícia Civil, os acusados cometeram os crimes pelo ‘prazer de matar’ e, se não fossem presos, fariam novas vítimas.
A sindicalista disse ainda que, além do botão do pânico, a categoria irá pedir reforço de efetivo na segurança pública. “A gente precisa que o governador (Mauro Mendes), além de nos dar mais segurança, assine esse 1.500 concursados que passaram na Polícia Militar. Não adianta fazer concurso e não nomear. Agora é colocar mais efetivo.”
Outro lado
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) informou que: Essa demanda foi apresentada pela presidente durante a reunião que aconteceu na manhã hoje (18.04) na Sesp, com o secretário adjunto de Segurança, coronel Fernando, e representantes da Assembleia Legislativo (deputados Botelho e Elizeu Nascimento), e será um dos temas do grupo de trabalho montando para discutir e definir as ações para reforçar a segurança dos motoristas que trabalham por aplicativo. A primeira reunião desse grupo será hoje mesmo, à tarde.
Confira a íntegra da entrevista:

























