Um projeto desenvolvido na Paróquia Nossa Senhora do Pantanal, em Várzea Grande, tem despertado na comunidade a consciência ambiental, recolhendo e dando a destinação correta aos resíduos recicláveis que seriam jogados no lixo. Com o projeto, os recursos arrecadados são aplicados em diversas pastorais da própria paróquia, resultando em ações voltadas às famílias da comunidade.
Iniciado em outubro de 2024, o projeto surgiu com o objetivo de trabalhar a educação ambiental na comunidade. Desde então, já foram arrecadados mais de 500 quilos de material reciclável e a meta é chegar a 1 tonelada na próxima coleta.
Alexandre Moraes é um dos coordenadores do projeto na Paróquia Nossa Senhora do Pantanal. Ele explicou ao PNB Online que a ideia de iniciar o projeto com a reciclagem de papel surgiu porque já existe um mercado estabelecido para a destinação deste tipo de resíduo. “Temos parceiros que juntam este material, que depois é entregue para uma empresa que compra esse resíduo. Esse dinheiro é transformado em ações dentro da própria comunidade. Vai para a Pastoral da Catequese, Pastoral da Família, compramos alimentos que são entregues para famílias em estado de vulnerabilidade social. E nossa comunidade ajuda trazendo os resíduos de papel que não têm mais valor”.
No período de 14 a 16 de fevereiro serão feitas novas coletas na paróquia e a comunidade já está se movimentando para a ação. “Convidamos a todos para que participem doando cadernos velhos, papéis, revistas, papelão ou cartolina. A cada uma tonelada de papel reciclado são preservadas 40 árvores”, frisou o coordenador.

A iniciativa é estimulada pela Arquidiocese de Cuiabá, que tem um núcleo voltado para ações de consciência ambiental, a Pastoral da Ecologia Integral (PEI). “Este exemplo de Várzea Grande é a prova de que quando as pessoas localmente decidem, as coisas acontecem. É um belo exemplo para ser seguido por outras paróquias tão logo organizem seus núcleos ecológicos paroquiais”, observa o professor e sociólogo Juacy Silva, articulador da Pastoral da Ecologia Integral em Cuiabá. Ele ressalta que outras iniciativas ambientais também são estimuladas nas paróquias, como projetos de reciclagem de óleo de cozinha e de baterias, por exemplo, no conceito de economia circular, e de diminuição do uso de plástico, combate ao consumismo e ao desperdício.
“Também estamos tentando articular catadores e catadoras de material reciclável em Mato Grosso para participar de um encontro regional do Centro Oeste, em Goiânia, em março. Nosso objetivo é ajudar essas pessoas que às vezes vivem e trabalham em condições quase análogas à escravidão, para que se organizem em cooperativas, associações e sindicatos”, completou Juacy.
A Arquidiocese de Cuiabá abrange oito municípios da Baixada Cuiabana com 33 Paróquias e mais de 200 Comunidades Eclesiais. Desta forma, a Arquidiocese estimula a organização dos Núcleos Ecológicos para expandir os projetos de educação ambiental, como o que já é desenvolvido na paróquia de Várzea Grande, para que ações transformadoras atinjam cada vez mais pessoas.
“A Pastoral também estimula e incentiva a organização de hortas domésticas, escolares, comunitárias, inclusive na linha de plantas medicinais. E estimula ainda projetos relacionados à arborização urbana, a começar pelo entorno das igrejas e também nas casas das pessoas da comunidade”, completou Juacy.
A coordenadora geral da Pastoral Ecológica Integrada, Olindina Bezerra, ressalta a importância da sensibilização dos párocos para que suas paróquias implementem a PEI localmente. “Temos a função de orientar as paróquias na formação dos agentes para que eles possam desenvolver essas atividades em suas comunidades”.
Em todo o Brasil já são mais de 200 Pastorais Ecológicas espalhadas por diversos estados e que têm desenvolvido trabalhos relacionados à educação ambiental.

























