
O deputado federal e candidato à Prefeitura de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), foi criticado nas redes sociais pelo ator e humorista cuiabano Eduardo Butakka pela ausência de propostas voltadas ao eleitorado LGBTQIA+. Entre os quatro candidatos que já apresentaram programas de governo, Brunini é o único que não apresentou nenhuma proposta específica para essa parcela da população.
A crítica foi feita nos comentários de um vídeo em que a personagem Professora Geisa, interpretada por Butakka, faz uma sátira das declarações de bens dos candidatos à Justiça Eleitoral. Durante a interação, foi sugerido ao candidato que ele incluísse propostas direcionadas à comunidade LGBTQIA+ em seu plano de governo. Abílio pediu sugestões ao artista.
“Abílio, existe uma literatura vasta a respeito. No entanto, você é o único candidato com zero propostas para essa minorias, em um dos estados que mais matam LGBTs. Poderia te dar várias sugestões, mas prefiro que você busque letramento a respeito. No que precisar, estou aqui”, respondeu Butakka.
Ao PNB Online, Brunini explicou a decisão de não incluir propostas a esta parte do eleitorado. O candidato considera que o seu plano de governo é abrangente e não pretende criar políticas públicas específicas para grupos isolados, como a comunidade LGBTQIA+, pois acredita que as políticas devem beneficiar todos os cidadãos de maneira igual.

“Vamos melhorar a saúde, resolver a falta de médicos e medicamentos, e oferecer atendimento especializado. Também falamos de programas de habitação e pavimentação urbana. Eu tratei as políticas públicas para todos os cidadãos, sem segregação”, disse.
Apesar da afirmação, o candidato possui propostas voltadas a parcelas específicas do eleitorado. Em seu programa de governo, apresentado à Justiça Eleitoral, Abílio cita a intenção de investir no fomento ao turismo de negócios, comércio, indústria e no agronegócio. E reconhece a vulnerabilidade de outros grupos específicos como mulheres, crianças, jovens e idosos.
Violência contra a população LGBTQIA+
Dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública de 2024, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que, entre 2022 e 2023, houve o registro de 79 casos de lesão corporal dolosa contra membros da comunidade em Mato Grosso. Ao todo, 15 pessoas foram assassinadas neste período no estado. Ao destacar uma possível subnotificação, os especialistas que assinam o estudo apontam que políticas públicas precisam ser pensadas como forma de assegurar a garantia de direitos dessa população.
“A ausência de propostas para as pessoas em vulnerabilidade reforça o quanto um determinado grupo é invisível para o candidato”, disse Butakka ao PNB Online. Para ele, é sintomático que Abílio tenha propostas a outros segmentos, mas ignore a comunidade composta por lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, intersexuais e outras denominações.
“Esse discurso de que ‘vai tratar todos com igualdade’ não cola. Se você, por exemplo, trata um paciente que está na UTI igual um paciente que ralou os joelhos, você não está sendo justo, está sendo cruel”, criticou.
O que propõem os outros candidatos
Em seu plano de governo, Eduardo Botelho (União) lista ações voltadas à assistência social em Cuiabá, com a promessa de criar políticas públicas que promovam o respeito à diversidade humana, abrangendo questões de gênero, cor, raça e etnia.
De forma similar, Domingos Kennedy (MDB) também se compromete com o desenvolvimento de políticas para as minorias, destacando a importância de respeitar a diversidade em todos os níveis. Seu plano menciona especificamente a criação de políticas para negros, jovens, comunidade LGBTQIA+ e outras populações diversas.
Pela Federação Brasil da Esperança, Lúdio Cabral faz diversas menções em seu plano de governo a ações destinadas à comunidade LGBTQIAPN+, incluindo a implementação de novas formas de acolhimento para pessoas vulneráveis, como jovens que saem de instituições de acolhimento e membros da comunidade LGBTQIA+ expulsos de suas casas. Entre as propostas, está a criação de repúblicas ou lares provisórios para apoiar esses grupos.





















