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Ao todo, 40% das cidades brasileiras que mais sofrem com o fogo no Brasil estão em MT

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Agência Brasil

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Mato Grosso concentra grande parte das cidades brasileiras que sofrem maior impacto do fogo no Brasil. É o que revela um novo estudo intitulado Determinants of the impact of fire in the Brazilian biomes, publicado na Frontiers in Forests and Global Change. Conforme os cientistas, dos 40 municípios mais afetados pelo fogo em território nacional, 16 estão em Mato Grosso. 

 

O estudo, realizado por pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que Pedra Preta é o que sofre mais com os incêndios de grande impacto, mas nordeste do estado concentra a maior quantidade de municípios na lista. Os pesquisadores alertam que os incêndios não são naturais e tendem a se agravar com a expansão da agropecuária e mudanças climáticas. 

 

Conforme os cientistas, ao contrário do que foi especulado durante os incêndios de 2020, a presença de gado é um fator estatisticamente associado aos incêndios de grande impacto no Pantanal e no Cerrado, desconstruindo assim a lenda do “boi bombeiro”, aventada pela ministra Tereza Cristina, que afirmou que um rebanho bovino maior poderia ter feito diminuir a dimensão dos incêndios no Pantanal, porque comeria o capim nativo ou plantado, impedindo que se transformasse em material altamente combustível. 

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Segundo o estudo, no Cerrado e no Pantanal, o histórico de incêndios de grande impacto mostra que eles ocorrem em áreas de vegetação nativa, comumente em Unidades de Conservação próximas a propriedades rurais que possuem maiores rebanhos bovinos e, principalmente, nas quais ocorreu desmatamento recente. Logo, o desmatamento para a produção agropecuária e o uso do fogo para rebrota de pasto são as principais causas dos incêndios, que se iniciam em propriedades privadas, escapando em seguida para as áreas de vegetação nativa das Unidades de Conservação e Terras Indígenas. 

 

O estudo concluiu, assim, que os grandes incêndios não são naturais, tendo causa majoritariamente humana; porém, um clima mais quente e seco tem agravado em muito as queimadas. Nas palavras do Prof. Britaldo Soares-Filho, coautor do artigo: “isso tende a se tornar o novo normal”. O estudo também mostrou que a vegetação nativa, sobretudo as formações florestais em todos os biomas, está sendo fortemente impactada pelo fogo, perdendo, como resultado, sua capacidade de regeneração devido à recorrência do fogo. Por exemplo, nos 20 anos examinados pelo estudo, 45% do Pantanal, 34% do Cerrado e 9% da Amazônia pegaram fogo pelo menos uma vez. 

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