Com as provas anexadas, a chapa Futebol para todos, encabeçada por Dorileo Leal, apresentou pedido de impugnação da chapa rival, que tem como candidato o atual presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), Aron Dresch. O documento apresenta pelo menos sete crimes cometidos na gestão de Aron e no processo eleitoral, que vai eleger o novo presidente da entidade no dia 03 de maio.
Os advogados Eduardo Costa e Silva e Erika Silva são os representantes da chapa de Dorileo e protocolaram o pedido às 17h55, próximo ao fim do prazo que seria às 18h desta sexta-feira (25).
Os advogados, baseados em provas, elencaram os crimes cometidos pela gestão de Aron Dresch e durante o processo eleitoral, como inelegibilidade, compra de votos, inserção de documentos falsos, falsidade ideológica eleitoral, coação mediante constrangimento ilegal, corrução eleitoral e associação criminosa.
Crimes cometidos
A falsidade ideológica eleitoral ocorreu quando foi alterado dados das subscrições apresentadas no registro de sua candidatura, em especial a data da subscrição dos requerimentos de apoiamento da chapa.
A coação mediante constrangimento ilegal em virtude da conduta de ameaçar não liberar verba aos clubes e ligas, caso não assinassem o documento de subscrição à Chapa do atual presidente da Federação.
A compra de votos se deu ao considerar que o presidente da Chapa “Progresso no Futebol” ser o atual Presidente da Federação se utilizava dos próprios recursos da Federação para trocá-los por apoio a perpetuação do seu poder.
E, ainda, considerando a associação do Presidente da chapa e dos demais membros de sua comissão, poderiam cometer os crimes outrora referenciados, formando assim uma associação criminosa.

Provas apresentadas
O esporte tem o princípio básico da competição, mas o atual mandatário da FMF cerceia o direito de competição ao não dar a chance de outra chapa ser inscrita. Menos de quatro horas depois de divulgado o edital de convocação para as eleições, a chapa de Aron subscreve a sua chapa com cerca de 90% do colégio eleitoral apto a votar. Como uma agremiação não pode assinar por duas chapas e vale a primeira protocolada, isso inviabiliza outra candidatura – são necessárias cinco assinaturas de clubes para validação da chapa.
“Ainda no dia 15 de abril de 2025, aproximadamente quatro horas depois de publicado o referido Edital de Convocação, às 13h23min, por meio do Protocolo n.º 77/2025, o atual Presidente da Federação Mato-grossense de Futebol – Sr. Aron Dresch, REGISTROU “À JATO” a Chapa ora impugnada “Progresso no Futebol”, ocupando o cargo de “Presidente” desta”, diz parte do pedido de impugnação.
Em áudio, Marcelo Carvalho, representante do Chapada, direcionada ao presidente do Poconé, Orivaldo Rondon, fica comprovada a compra de votos.
“Você falou que vai votar no Dorileo, que você que vota pelo Poconé, que não é Chapada. Mandaram o áudio para eu ficar esperto. Me mandaram um print com o Mixto contando com o voto do Poconé. Eu quero reiterar com você o nosso combinado. Gilberto me pediu: ‘Alinha com o Orivaldo, nós somos Aron. Nós pagamos ele, está tudo pago’. Passa uma procuração enquanto não sai nada na CBF. Vou providenciar a procuração pública para você assinar. Estou te comunicando e qualquer coisa eu levo aí em Poconé”, diz Marcelo.
O representante do Chapada, que assina a subscrição da chapa de Aron cita Gilberto Mello, que é vereador e ex-prefeito em Chapada dos Guimarães. Ele seria o dono do time.
O presidente do Atlético-MT, Alex Sandro, narrou que foi abordado pelo Eduardo Henrique, funcionário da FMF, durante uma partida da divisão de acesso do Campeonato Mato-grossense do ano passado. Ele cita o documento assinado para subscrição da chapa e que não deu anuência à chapa do Aron.
“Esses documentos aí foram assinados no ano passado na Segunda Divisão. Aí ele liberou lá 20 mil pra cada time. Mas eu falei, isso aqui é voto? O Eduardo [Henrique] falou, não, eu falei, então tá bom, se for voto eu não vou assinar”, afirmou Alex.
Outro clube surpreso com sua assinatura na subscrição da chapa de Aron foi Leomar Lauxen, presidente licenciado do Nova Mutum.
“Assinamos um documento sem data em apoio ao atual presidente Aron Dresch, mas para minha surpresa foi apresentado esse documento agora para subscrição de sua chapa para concorrer à presidência da federação. Esse documento eu assinei no dia 26 de fevereiro e agora foi apresentado com data de 15 de abril. Eu entendo que esse documento não tem validade nenhuma”, declarou Leomar.

O ex-presidente do União, Reydner Souza, é ainda mais enfático sobre as acusações e provas apresentadas. Ele inclusive tem provas da coação para assinatura de documentos sem data e ainda da liberação de dinheiro referente a disputa do Campeonato Mato-grossense mediante assinatura do documento.
“Quando eu vi o documento, fiquei até preocupado e assustado de tanta loucura. para que fizesse o repasse de um dinheiro da federação, eu era obrigado a assinar um documento anuindo a chapa do presidente Aron. Assinei o documento por necessidade e sabendo que aquele documento no futuro não teria validade, porque foi sob coação. É um documento criminoso”, disse Reydner.
O ex-mandatário do União de Rondonópolis inclusive narra qual o funcionário da FMF autorizou os pagamentos e qual recolheu a assinatura. Tudo em prints arrolados ao processo.
As provas são robustas e colocam a eleição sob suspeita. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) abriu uma ação civil pública e deu prazo de 48h para a Federação apresentar informações que comprovem a lisura do pleito.
O prazo para a comissão eleitoral julgar os fatos e dar o parecer sobre a impugnação da chapa de Aron Dresch é nesta segunda-feira (28). Os próximos passos definirão o futuro do futebol mato-grossense.
Outro lado
A atual gestão da Federação Mato-grossense de Futebol declarou que não vai se posicionar e que tudo que diz respeito às eleições está no site oficial da entidade, em documentos públicos e oficiais.





















