
Na mais recente edição da Revista de Estudos de Comunicação do Labcom da Universidade da Beira Interior (Portugal), o professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (PPGECCO) da UFMT, apresentou um artigo científico intitulado “Militarismo e religiosidade: os valores do bolsonarismo e a ameaça à democracia comunicada”. O estudo analisa de forma crítica os valores fundamentais que permeiam a figura pública do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL).
O cerne do artigo está na identificação e análise de dois valores que têm sido a base da performance política de Bolsonaro desde 2018: o militarismo e a religiosidade. O ex-presidente, descrito como político de matiz ideológico de extrema direita e viés totalitário, utilizou-se destes valores para consolidar sua presença no cenário político nacional.
Conforme o autor, que também é jornalista no PNB Online, o militarismo, para Bolsonaro, não se limitou à capacidade de intervenção armada; ele apresentou os militares como sujeitos mais preparados do que civis para gerir os interesses nacionais e a gestão governamental. Por outro lado, a religiosidade foi interpretada como um desígnio divino que legitimou a figura do presidente como um “mito” para seus seguidores.
A fundamentação teórica do artigo incorpora conceitos importantes, como noções elaboradas por grandes referências dos campos da Comunicação, Filosofia, História e Sociologia, como Nilson Lemos Lage, John Dewey, Leszek Kolakowski e Georges Didi-Huberman. O método de análise envolve a seleção de imagens que retratam a fusão dos valores do militarismo e da religiosidade, destacando a sua presença marcante nas manifestações violentas em prol da ditadura militar no Brasil.
O artigo enfatiza que, ao construir seu discurso autoritário, Bolsonaro não apenas sustentou, mas ainda mantém a pretensão de exercer um poder inquestionável. Para Oliveira, os valores do militarismo e da religiosidade, unidos como uma verdade única, revelam não apenas sua visão particular de governança, mas também sua fragilidade pessoal diante do conflito de ideias característico do diálogo democrático.
“A fusão dos valores foi usada na estratégia comunicativa de Bolsonaro da propaganda política feita para seu público, orquestrada e reverberada nas redes sociais. Argumentamos que o militarismo e a religiosidade têm características complementares que se encaixam e propiciam esse movimento de fusão da propaganda política dos extremistas”, afirma.
Como conta Oliveira, a publicação do texto pela revista portuguesa completa uma experiência de Comunicação Multimodal, uma vez que o artigo serviu de roteiro para a realização de um ensaio audiovisual científico, considerado uma nova escritura de ciência entre os pares. Em julho deste ano, o Blog do Noblat, do portal Metrópoles, repercutiu uma análise do vídeo, que pode ser assistido a seguir.























