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SAÚDE PÚBLICA

Atenção primária e informação ajudam a evitar amputações em pacientes com diabetes

UBS em Cuiabá mostra bons resultados no cuidado de pés em diabetes. Especialistas alertam que prevenção começa antes das feridas.

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Atenção primária e informação ajudam a evitar amputações em pacientes com diabetes
Atenção primária e informação ajudam a evitar amputações em pacientes com diabetes (Foto: Safira Campos / PNB Online)

Pacientes com diabetes têm de 15 a 30 vezes mais chance de sofrer amputações nos membros inferiores do que pessoas sem a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). A estimativa é que 80% das amputações não traumáticas ocorram em diabéticos. Entre eles, cerca de 25% terão úlceras nos pés ou pernas em algum momento da vida; metade dessas lesões infecciona e 20% evoluem para amputação.

Em Cuiabá, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Parque Ohara se tornou referência informal para pacientes que já chegam com feridas graves. A equipe oferece acompanhamento frequente e curativos especializados, um cuidado pouco comum nas redes municipais em Mato Grosso e em quase todo o país.

É o que tem evitado o pedreiro Nildo Mendes, de 61 anos, de perder outro dedo do pé. Ele já havia passado por amputação anterior e, ao procurar outros postos e UPAs, ouvia que não havia especialistas disponíveis ou muito a ser feito. “Eu achava que ia perder de novo. Quando cheguei aqui, já estava infeccionado, mas me consultei com o médico e a enfermeira começou a tratar. Sou muito agradecido a ela”, conta.

Como contou à reportagem, Nildo já estava há cinco meses sem poder trabalhar em razão da complicação no pé, o que vinha interferindo no seu sustento. Hoje, ele se recupera, retomando gradualmente suas atividades. Com o tratamento, a ferida cicatrizou, mas os cuidados devem continuar para evitar novas úlceras.

Elenize Souza é enfermeira com experiência em lesões complexas e atua na rede municipal de saúde em Cuiabá.
Elenize Souza é enfermeira com experiência em lesões complexas e atua na rede municipal de saúde em Cuiabá. (Foto: Safira Campos / PNB Online)

Elenize Souza, enfermeira com experiência em lesões complexas, afirma que casos como o de Nildo exigem acompanhamento intensivo. “Um paciente com necrose ou muita secreção não pode voltar só daqui a 15 dias. Precisa ser visto ao menos duas vezes por semana para evitar que a lesão piore e leve à amputação”, explica. Atualmente, a unidade acompanha 12 pacientes em situação semelhante à de Nildo e adapta o tratamento às necessidades de cada um.

Como explica a enfermeira, o protocolo seguido envolve limpeza adequada da lesão, uso de insumos específicos e muita informação. Pacientes em alta recebem orientações para manter o cuidado em casa e retornam semanalmente para reavaliação. “Não é só tratar quando o problema já está grave. A pessoa com diabetes precisa acompanhar e prevenir”, diz. “O tratamento que realizamos por aqui infelizmente não está disponível em todas as unidades, é quase uma exceção”, ressalva.

Informação é a chave

É o que também afirma a médica Geisa Macedo, coordenadora do Departamento de Diabetes, Neuropatias e Complicações nos Pés da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Conforme Macedo, chegar ao ponto da necessidade de curativos especializados significa já lidar com uma “complicação da complicação”. A prioridade deve ser identificar o pé de risco antes que surjam as úlceras.

“Quando tratamos uma ferida aberta, o risco de recidiva é alto: 60% em três anos. A chance de amputação também é grande, especialmente se houver doença vascular”, diz Geisa. Dessa forma, é imprescindível descobrir cedo quando o pé está começando a ter problemas, como perda de sensibilidade ou má circulação, e tratar antes que a ferida apareça.

Para isso, a entidade distribui a cartilha “Algoritmo do Pé em Diabetes” e promove cursos para profissionais da atenção básica. O objetivo é ensinar a reconhecer sinais de risco, como perda de sensibilidade, deformidades nos pés e alterações na circulação. São cuidados simples e de baixo custo, segundo a médica, que podem evitar intervenções caras e traumáticas.

Geísa Maria Campos Macedo, Coordenadora do Departamento de Diabetes, Neuropatias e Complicações nos Pés da Sociedade Brasileira de Diabetes (Foto: Redes Sociais)

Na avaliação de Geisa, uma UBS como a do bairro Parque Ohara, em Cuiabá, tem um papel importante ao oferecer atendimento qualificado para casos mais avançados. Ela destaca, porém, que o cuidado com o pé em diabetes começa antes, com a ampliação do diagnóstico precoce na rede básica. “Essa unidade não consegue atender a demanda de toda a cidade. Então, precisamos de mais equipes capacitadas para identificar e tratar antes de ulcerar. Isso reduz amputações e custos para o sistema de saúde”.

Enquanto o desafio é ampliar o alcance da prevenção, pacientes como Nildo deixam a UBS com um aprendizado claro: cuidar dos pés diariamente. “Se hidratar, olhar se não tem ferida e procurar ajuda cedo. Quando se tem diabetes os cuidados são diversos com a saúde como um todo. É preciso se cuidar”, resume a enfermeira.

Interaja com box abaixo e confira dicas da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) para manter os cuidados em casa:

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