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PREVENÇÃO

Câncer de boca e câncer de ovário expõem desafios do diagnóstico tardio

Campanhas de maio reforçam a importância do diagnóstico precoce para dois tipos de câncer e podem reduzir as chances de cura quando descobertos tardiamente.

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O mês de maio concentra duas campanhas de conscientização que acendem o alerta para tumores que, apesar de diferentes, têm uma característica em comum: costumam apresentar poucos sinais nas fases iniciais e dependem do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura. Nesta sexta-feira, 8 de maio, é o Dia Mundial do Câncer de Ovário. Além disso, a Campanha Maio Azul chama atenção da população para a prevenção do câncer de ovário. O mês também engloba o Maio Vermelho, campanha de conscientização sobre o câncer de boca, que atinge lábios, gengiva, bochechas, céu da boca, língua e garganta. Esta campanha ganha ainda mais força no dia 31 de maio, data em que também é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 7,3 mil novos casos de câncer de ovário por ano entre 2026 e 2028. Já o câncer de boca deve atingir 17.190 brasileiros somente em 2026, com maior incidência entre os homens. O INCA ainda estima cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no país no triênio 2026-2028, evidenciando a necessidade crescente de prevenção, informação e detecção precoce.

“No caso do câncer de ovário, o desafio está justamente na dificuldade do reconhecimento inicial da doença. Inchaço abdominal persistente, dores pélvicas, alterações intestinais, perda de apetite, fadiga e aumento da frequência urinária costumam ser confundidos com problemas gastrointestinais ou hormonais, retardando a investigação médica”, alerta o médico patologista Carlos Aburad.

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“Já o câncer de boca pode se manifestar por meio de feridas que não cicatrizam, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, sangramentos, rouquidão persistente e dificuldade para mastigar ou engolir. Ainda assim, muitos pacientes ignoram os sintomas nas fases iniciais”, explica o dentista Arlindo Aburad, doutor em Patologia Bucal pela USP.

Investigação e diagnóstico

Dados do INCA indicam que diagnósticos precoces do câncer de boca podem elevar as chances de cura para índices superiores a 95%, enquanto casos avançados apresentam prognóstico significativamente mais limitado. Segundo Arlindo Aburad, parte dos casos de câncer de boca ainda chega aos serviços especializados em estágio avançado justamente pela demora na investigação dos primeiros sinais. “Muitas lesões começam pequenas, sem dor, e acabam sendo negligenciadas pelo paciente. O problema é que o câncer de boca pode evoluir rapidamente. Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de cura aumentam de forma expressiva e o tratamento tende a ser menos agressivo”, avalia.

Der acordo com ele, o exame clínico realizado por dentistas é fundamental para identificar alterações suspeitas antes da progressão da doença. “O dentista consegue reconhecer lesões precursoras e encaminhar rapidamente para confirmação diagnóstica por meio da biópsia. Isso pode evitar cirurgias mutiladoras e melhorar significativamente o prognóstico do paciente”, destaca.

Arlindo Aburad lembra ainda que o tabagismo continua sendo o principal fator de risco para o câncer bucal, especialmente quando associado ao consumo frequente de bebidas alcoólicas. “Existe uma relação direta entre hábitos de vida e o desenvolvimento desses tumores. Além da prevenção, é necessário ampliar a conscientização para que as pessoas procurem avaliação ao perceber qualquer alteração persistente na boca”, pontua.

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O médico patologista Carlos Aburad reforça que o câncer de ovário também depende de investigação precoce para ampliar as possibilidades terapêuticas. “O grande desafio dessa doença é que os sintomas iniciais são muito inespecíficos. Muitas mulheres convivem durante meses com desconfortos abdominais acreditando se tratar de problemas digestivos ou hormonais. Esse atraso pode impactar diretamente no estágio em que o tumor será descoberto”, afirma.

De acordo com Carlos Aburad, embora não exista um exame de rastreamento recomendado para a população geral, a atenção aos sinais clínicos e ao histórico familiar são essenciais. “Mulheres com casos de câncer de mama, ovário ou colorretal na família precisam de acompanhamento mais atento, principalmente quando existem mutações genéticas associadas. O diagnóstico precoce continua sendo uma das principais ferramentas para melhorar as chances de resposta ao tratamento”, diz Carlos Aburad.

Ele destaca que muitas mulheres acreditam, de forma equivocada, que o exame preventivo ginecológico tradicional detecta o câncer de ovário. “O Papanicolau é importante, mas ele não identifica o câncer de ovário. Por isso, sintomas persistentes nunca devem ser ignorados, especialmente após os 50 anos”, alerta.

Carlos Aburad e Arlindo Aburad reforçam que campanhas de conscientização como as realizadas em maio têm papel fundamental para ampliar o acesso à informação e estimular a busca por avaliação médica e odontológica diante de sinais suspeitos.

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