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ESPÉCIES MIGRATÓRIAS

Com COP15, MS projeta o Pantanal internacionalmente enquanto MT silencia

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(Foto: Saul Schramm)

Campo Grande (MS) sedia, até o dia 29 deste mês, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), a COP15 das Espécies Migratórias. O evento reúne governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais e sociedade civil de todo o mundo para discutir os desafios urgentes que acometem as milhares de espécies de animais silvestres que cruzam fronteiras internacionais. A cidade foi escolhida como representante do bioma pantaneiro, importante habitat para espécies migratórias.

Enquanto o Governo de Mato Grosso do Sul tem protagonizado esforços de “colocar o Pantanal no centro do mundo” (lema do evento publicizado pelo estado), o vizinho silencia. Até o momento, não há registros públicos do Governo de Mato Grosso na organização, promoção ou agenda da COP15. Também não há destaque para delegações estaduais, políticas associadas ou ações articuladas com o evento. O discurso oficial e institucional concentra o Pantanal quase exclusivamente no lado sul-mato-grossense, embora cerca de 35% do bioma também esteja aqui.

Sem representantes do governo de Mauro Mendes (União), na abertura desta COP15, o Governo Federal anunciou a ampliação de áreas protegidas no bioma. Onde? Justamente em Mato Grosso: o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e a Estação Ecológica de Taiamã, impactando áreas como Poconé e Cáceres. Ou seja, o território mato-grossense está no centro prático das medidas ambientais da cúpula, mas o estado sequer se fez presente.

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A ausência em um evento desta importância escancara, mais uma vez, o descomprometimento com a pauta ambiental por parte de quem governa Mato Grosso. “Falta controle de carga, planos de gestão e ações efetivas para proteger os três biomas do estado”, é o que aponta Aynore Caldas, empresário do ecoturismo e mestre em Manejo de Vida Silvestre. Em artigo publicado pela Rede Sucuri, Caldas destaca como os equívocos se multiplicam e afetam a vida das mais variadas espécies que habitam este estado de tão rica biodiversidade.

“É curioso: enquanto o Mato Grosso do Sul e outros destinos evoluem para o turismo sensorial e carbono neutro, o Mato Grosso parece apostar no modelo ‘quanto mais, melhor’. Trinta e cinco barcos perseguindo uma única onça-pintada e atrapalhando o seu comportamento de caça não é observação, é um safári de ego disfarçado de ecoturismo”, afirma o especialista.

Ao se ausentar de um evento da ONU sediado no estado vizinho e dedicado a um bioma compartilhado, Mato Grosso abre mão de protagonismo, de oportunidades de acesso a financiamento verde e de articulação de parcerias internacionais. Mas, mais do que isso: expõe uma escolha política. Enquanto avançam pressões conhecidas sobre a planície pantaneira, como a exploração mineral e a expansão de hidrelétricas, o silêncio não é apenas simbólico, mas uma evidência do lugar que a conservação ambiental ocupa na agenda do governo.

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Safira Campos é jornalista, doutoranda em Comunicação pela ESPM e idealizadora da Rede Sucuri.

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