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Comprovante mostra transferência de “dinheiro a mais” feita por ex-chefe de gabinete de Abilio

Em dois anos, MTPress recebeu mais de R$ 360 mil de cota parlamentar de deputados federais do PL. Empresa foi usada para transferir salário “em dobro” para vítima de assédio sexual.

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Comprovante de transferência bancária obtido com exclusividade pela reportagem do PNB Online mostra que o ex-chefe de gabinete do prefeito de Cuiabá, Willian Campos Leite, transferiu dinheiro a mais para uma ex-assessora com quem trabalhava. O pagamento foi feito no dobro do valor do salário da assessora.

O documento mostra que no dia 6 de fevereiro de 2025, Willian Campos usou a conta bancária da empresa MTPress Comunicação e Publicidade LTDA, ligada a políticos de direita de Mato Grosso que atuam na Câmara dos Deputados.

Entre julho de 2023 e janeiro de 2026, a MT Press recebeu R$ 363.336,97 de cota parlamentar de deputados do PL de Mato Grosso. A maior parte dos pagamentos foi feita pelo gabinete do deputado federal José Medeiros (PL), aliado de Abilio, que transferiu R$ 309 mil para as contas da empresa de comunicação visando a produção de conteúdo para divulgação de atividade parlamentar, segundo a prestação de contas da Câmara.

Comprovante mostra transferência feita por empresa ligada a deputados de direita

Vítima de assédio sexual, a ex-assessora conta que não conseguiu sacar nem transferir o dinheiro recebido via conta-salário da prefeitura de Cuiabá por conta de uma pendência no Banco do Brasil, instituição que ela havia processado judicialmente. Em razão disso, a servidora sacou o seu salário e pediu para que Willian Campos depositasse e transferisse o dinheiro na sua conta.

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Naquele momento, segundo a servidora, ocorreu uma das situações de assédio. Ao entregar as cédulas, o chefe de gabinete empurrou a mão da servidora para dentro da sua bolsa. “Gesto que me causou estranhamento, pois não havia motivos para esconder a ação”, relata a servidora no boletim de ocorrência.

Em seguida, Campos teria feito a transferência em valor que seria o dobro do salário da servidora. Assustada, ela questionou uma colega, que disse que aquilo era normal e que Willian usava o recurso “a mais” para pagar despesas do gabinete.

O nome da outra servidora, cuja conta supostamente também seria utilizada para estas despesas extras, também não foi informado pela vítima.

Willian Campos virou manchete de jornais locais depois que o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, gravou vídeo em suas redes sociais afirmando que encaminharia para a Polícia Federal e para o Ministério Público denuncia anônima que ele havia recebido contra o secretário. No vídeo, Brunini disse não se preocupar com eventuais acusações falsas e que tudo seria investigado.

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Em seguida, o prefeito rejeitou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) feito pelo vereador Daniel Monteiro (Republicanos) para apurar a conduta de Willian. Abilio alegou que o pedido de investigação era vago e sem objeto e que a diferença entre Monteiro e o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), seria apenas a sobrancelha.

Com o estouro de novas denúncias contra o secretário, Brunini não voltou a se pronunciar sobre o pedido de CPI. Em documento enviado recentemente, o prefeito pediu que denúncias de assédio sexual e moral sejam submetidas à apreciação da própria prefeitura. Em casos de crime, denúncias do tipo podem ser feitas diretamente à polícia.

Outro lado

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da prefeitura de Cuiabá, que não enviou manifestação sobre o caso. A assessoria de imprensa do deputado José Medeiros informou, por meio de nota, que a MT Press é contratada exclusivamente para serviços de comunicação ao gabinete do deputado federal e que o contrato é restrito às atividades parlamentares.

O ex-secretário Willian Campos também foi procurado, mas não apresentou manifestação.

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