
A Polícia Civil de Mato Grosso afirmou nesta sexta-feira (11.04) que há indícios de que o assassinato do homem em situação de rua Ney Muller Alves Pereira, 42, foi premeditado pelo procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Luiz Eduardo Figueiredo Rocha e Silva, 47.
Segundo o delegado Edson Pick, responsável pela investigação, o crime ocorreu após o procurador receber a informação de que um morador de rua estaria danificando veículos nas imediações de um posto de combustíveis, onde jantava com a família. Ele levou os familiares para casa e, em seguida, saiu novamente com o carro e a arma registrada em seu nome.
No trajeto, ele parou em dois postos policiais dos bairros Jardim das Américas e Boa Esperança, mas não registrou boletim de ocorrência. Pouco depois, avistou Ney caminhando próximo à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), chamou a vítima até seu carro e atirou na cabeça dela. Ney morreu na hora.
Para a polícia, o fato de Luiz Eduardo ter deixado sua residência armado e retornado à região onde soube da depredação é indicativo de que houve premeditação. “A partir do momento em que ele vai para casa, volta com uma arma e chama a vítima até o carro, há sim elementos que sugerem a intenção de cometer o crime”, disse o delegado em coletiva de imprensa.
Pick também destacou que o procurador não conhecia Ney pessoalmente e o identificou apenas por características físicas repassadas por terceiros.
O crime foi classificado como homicídio qualificado, por motivo fútil e por meio de emboscada. O suspeito, que confessou o disparo, passou por audiência de custódia na tarde desta sexta.
A defesa do procurador, feita pelo advogado Rodrigo Pouso, nega que tenha havido premeditação e afirma que se tratou de um “acidente”. Segundo o advogado, o disparo foi feito quando Ney teria se abaixado para atacar o carro. “Foi um episódio trágico, mas não uma execução”, disse.
Servidor efetivo da ALMT desde 2015, Luiz Eduardo tem salário de R$ 44 mil, segundo o Portal da Transparência. Em 2023, foi homenageado com o título de cidadão mato-grossense por sua atuação como procurador.























