O governador Mauro Mendes (União) passou os últimos seis anos brigando com o seu desafeto político nº 1, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB). O governador cultiva esta briga com o seu jeito sincero de odiar um adversário incômodo e de não levar desaforo para casa. Em óbvio, Emanuel, paga na mesma moeda. Ódio para lá, ódio para cá, quem paga a conta da briga política entre o governador e o prefeito da capital é a população cuiabana, cansada de brigas entre os mandatários estadual e municipal.
O perigo para a população cuiabana é que a briga sem fim pode continuar, mas mudando apenas um dos personagens da troca de desaforos públicos. Sai Emanuel, entra Abílio. O deputado federal bolsonarista é sério candidato a tomar a posição de Emanuel Pinheiro como desafeto nº 1 de Mauro Mendes, caso venha a vencer a eleição de prefeito da capital.
Como descrevem as jornalistas Cíntia Borges e Vitória Gomes, do site Midianews, o governador Mauro Mendes (União) tem rebatido, sem economia de energia, todas as críticas que o deputado federal Abílio Brunini (PL), que é pré-candidato a prefeito de Cuiabá, tem feito a ele e ao deputado estadual Eduardo Botelho (União).
Abílio centra suas críticas no que acusa ser abuso de poder político do governador. O deputado federal tem dito nas redes sociais que tem “enfrentado a máquina do Governo do Estado” para viabilizar a candidatura ao Palácio Alencastro. Mendes apoia o deputado estadual Eduardo Botelho, presidente da Assembleia Legislativa, na disputa que começa oficialmente em agosto deste ano.
O governador classificou Abílio como boquirroto, sem entrar no mérito da denúncia feita pelo pré-candidato do PL. Questionado sobre a crítica de abuso de poder com o uso da máquina do governo estadual, Mauro Mendes ironizou o seu novo desafeto que ameaça a liderança de Emanuel Pinheiro no topo do seu “odiômetro”: “O maior desafio do Abílio é enfrentar a própria língua”.
Do Buraco da Memória: na eleição de 2020, quando Abílio Brunini também foi candidato a prefeito, o governador Mauro Mendes anunciou, no segundo turno, apoio à candidatura dele. Mauro chegou a gravar um vídeo pedindo voto para Abílio que seria veiculado em horário eleitoral. O bolsonarista simplesmente jogou o vídeo no lixo. Ele se recusou a colocar Mauro no seu programa, perdendo a oportunidade de ter registrado, no espaço da propaganda eleitoral, o pedido de voto do governador bem avaliado nas pesquisas. Se Abílio vencer a eleição, Emanuel perde o posto de desafeto nº 1 e a briga política vai continuar.























