O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia apontando indícios de que o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), e o filho dele, Luis Antonio Taveira Mendes, operavam um esquema de utilização de mercúrio ilegal na mineradora Mineração Aricá Ltda. De acordo com depoimentos colhidos nas investigações, a unidade de mineração mantinha uma produção média vultosa, alcançando cerca de 54 kg de ouro por mês.
As investigações da Operação Hermes revelaram que, embora fizesse uso frequente de mercúrio na etapa de amalgamação do ouro, a Mineração Aricá nunca adquiriu a substância de forma legal através dos sistemas de controle do Ibama. Em vez disso, o garimpo teria se abastecido com mercúrio contrabandeado fornecido pelo chamado “Grupo Veggi”.
O papel do governador e seu filho
A denúncia sustenta que Mauro Mendes seria sócio oculto da Mineração Aricá por meio da empresa Maney Participações Ltda, da qual é sócio desde 2017 e que deteve 40% das cotas da mineradora até 2020. Funcionários da empresa relataram em depoimento que Luis Antonio Taveira Mendes exercia funções gerenciais diretas na linha de produção e que o governador frequentemente visitava o garimpo pessoalmente para acompanhar o andamento dos trabalhos.
Para os procuradores, a presença constante do governador no local e sua ligação societária indireta são “indicativos importantes” de que os delitos de contrabando e crime ambiental foram cometidos durante o exercício do cargo eletivo.
Notas fiscais falsas de “Bolas de Ferro”
Para ocultar o comércio ilícito do metal tóxico, o grupo criminoso e as mineradoras utilizavam um método de dissimulação em notas fiscais. Diálogos interceptados pela Polícia Federal mostram que o mercúrio era faturado fraudulentamente como “bolas de ferro” ou “sucata de mola”.
Em uma das conversas gravadas, membros da organização criminosa afirmam explicitamente que o destino do produto clandestino era o “garimpo do Mauro Mendes”. Em outra ocasião, o intermediário Rafael Piqui reforça a ligação ao dizer: “É do Mauro, cara! Ele é amigo do meu pai… nós vamos vender”.
O MPF estima que as empresas do conglomerado (Aricá Mineração e KIN Mineração) adquiriram ao menos 314 kg de mercúrio sem autorização ambiental entre 2022 e 2023.
Reparação bilionária
Devido à gravidade do impacto ambiental causado pela introdução de toneladas de mercúrio nos ecossistemas, o MPF requereu que os envolvidos sejam condenados a pagar uma reparação mínima de R$ 1,5 bilhão por danos socioambientais e à saúde pública.
Diante dos indícios de participação direta de Mauro Mendes, a 1ª Vara Federal de Campinas acatou o pedido do MPF e determinou o declínio de competência, remetendo as investigações ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), tribunal responsável por processar governadores em razão da prerrogativa de foro. Além de Mauro Mendes, seu filho Luis Antonio e a empresa Mineração Aricá figuram como alvos centrais do inquérito.
Outro lado
A reportagem do PNB Online entrou em contato com a assessoria de Mauro Mendes para se pronunciar sobre o caso. Até a publicação desta matéria, no entanto, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
























