
Durante seis dias de maio, a Terra Indígena Bakairi, em Paranatinga (375 km de Cuiabá), realizou uma ação cultural para preservar os cantos tradicionais femininos do povo Kurâ-Bakairi. A iniciativa reuniu cinco mulheres da Aldeia Kuiakware, que gravaram músicas ancestrais em um esforço de salvaguarda da memória e identidade do grupo.
O trabalho faz parte do Projeto Kâremu, idealizado pela liderança indígena Dorothy Taukane e sua filha, a pesquisadora Isabel Taukane. A seleção das músicas começou em fevereiro e contou com composições espirituais e comunitárias transmitidas oralmente entre as mulheres do povo.
Entre as cantoras estão Maísa Cuteme Taukane, Sergiane Taiuke, Élida Makialo, Daircy Cutazega Kaipanago e Robenildes Xagope Cautu. Os cantos abordam temas como pertencimento, força coletiva e espiritualidade, refletindo a trajetória das mulheres Kurâ-Bakairi ao longo das gerações.
Um dos momentos mais marcantes foi a redescoberta de uma fita cassete com mais de 30 anos, contendo registros da mestra de canto Adélia Maniwa, já falecida. A audição do material emocionou a comunidade e reativou memórias entre descendentes da anciã.
Conforme a organização, durante as gravações, outras mulheres da aldeia, inclusive jovens, passaram a se envolver espontaneamente no projeto. A participação revelou novos talentos e mostrou que a herança musical das mestras continua viva. A produção musical é assinada por Estela Ceregatti e André Magalhães. O registro audiovisual ficou a cargo de Henrique Santana, com cuidado para respeitar os ritos e valores culturais do povo.
O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL-MT), e contou com apoio da Funai.
O álbum com os registros deve ser lançado em outubro. A expectativa é que o material funcione como um documento cultural de preservação cultural.

























