Em um discurso proferido na tribuna do Senado Federal nesta quarta-feira (12.08), o senador Jayme Campos (União) subiu o tom contra o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), após a Operação Heritage deflagrada pela Polícia Federal. O parlamentar lamentou ver o estado estampado no noticiário policial e criticou duramente a gestão de Mendes, a quem acusou de transformar o estado em um “balcão de negócio” e de estar envolvido em um esquema milionário de desvio de recursos públicos.
Durante seu pronunciamento, Jayme Campos expressou indignação com o montante que teria sido desviado, destacando o impacto devastador que a corrupção causa diretamente nos serviços essenciais oferecidos à população, em especial na saúde pública.
“Na semana passada, uma operação da Polícia Federal trouxe a público uma investigação sobre suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que pode alcançar a cifra de 308 milhões de reais. Mas senhor presidente, nós estamos falando de 308 milhões de reais. Para que você tenha dimensão que isso representa, esse valor seria suficiente para financiar a implantação de 4.000 UTIs. Imaginem o impacto disso na saúde pública de Mato Grosso. Quantas vidas poderiam ser salvas? Quantas famílias poderiam ser atendidas, ser ter um atendimento digno? Quantos municípios poderiam criar sua estrutura de saúde? Também poderíamos construir milhares de casas populares e poderíamos construir creches e escolas. É um episódio lamentável para a história do nosso estado”, declarou.
Pedido de desculpas ao povo de Mato Grosso
Visivelmente contrariado, Jayme Campos aproveitou o espaço para pedir perdão aos eleitores mato-grossenses por ter apoiado e apresentado Mauro Mendes ao eleitorado nas eleições de 2018. O senador relembrou que Mendes vinha de derrotas eleitorais anteriores e que o grupo político liderado por ele deu a oportunidade para que o ex-governador assumisse o poder, uma decisão da qual hoje se arrepende profundamente.
“Eu quero pedir ao povo de Mato Grosso minha desculpa, perdão por ter saído em 2018 puxando por essas mãos aqui desse homem que conhece palma a palma do nosso estado, apresentando o cidadão Mauro Mendes, que até então foi governador do nosso estado e renunciou para que pudesse ser candidato a senador. Apresentando esse cidadão que eu esperava que fosse um homem de bom caráter, um homem que certamente poderia corresponder com a expectativa do povo mato-grossense. Por isso eu estou aqui, com a minha humildade que é peculiar, que nasci com ela, pedir o perdão para o povo de Mato Grosso, de lhe dar, com certeza, essa oportunidade, até porque ele vinha de uma derrota ou duas derrotas, né, que ele disputou a eleição para prefeito de Cuiabá perdeu e perdeu também para o governo do estado. Nós demos essa oportunidade e lamentavelmente esse povo de Mato Grosso, esse eleitor, que confiou muito nele, mas a maioria eu tenho a certeza que confiou no senador Jayme Campos, que está puxando pela mão”, disse o senador.
Acusações de corrupção e “estado privado”
O senador não poupou adjetivos ao classificar a atual situação política e administrativa de Mato Grosso. Segundo Jayme Campos, o erário público está sendo usurpado por um pequeno grupo de pessoas, enquanto serviços básicos como saúde, segurança e educação são negligenciados em detrimento de gastos considerados supérfluos e suspeitos.
“Lamentavelmente hoje o estado de Mato Grosso passou a ser um verdadeiro balcão de negócio. Passou a ser um estado que não é povo do povo, é um estado privado, um estado de meia dúzia de cidadãos que estão, com certeza, usurpando do erário público da sociedade. Lamentavelmente, o que tem acontecido em Mato Grosso é caso constantemente, recorrentemente, de atitudes e ações que a Polícia Federal tem que estar lá em Mato Grosso promovendo. Fazendo com que o dinheiro público arrecadado através dos impostos que o cidadão mais humilde do setor privado recolhe nos cofres públicos, esse dinheiro não tá sendo aplicado em favor da nossa sociedade. Num estado que lamentavelmente se compra uma roda gigante para colocar num parque de 70 milhões de reais, eu entendo que é roubar a esperança da sociedade, das nossas crianças, do cidadão menos afortunado que precisa de uma saúde pública com uma qualidade, que precisamos de uma segurança para combatermos as organizações criminosas, de um estado que certamente possa proporcionar também uma educação às nossas crianças”, afirmou.
“Desumano, envolveu até criança”
O parlamentar também mencionou a recente operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, que resultou em mandados de busca e apreensão contra secretários de Estado, o ex-governador e seus familiares. Jayme Campos fez duras acusações de caráter pessoal a Mauro Mendes, apontando o suposto envolvimento de um menor de idade em esquemas de lavagem de dinheiro.
“Primeiro, cumprimentar o ministro Flávio Dino, numa decisão da última semana, foram 25 buscas e apreensão em residências de secretários de estado, desse do próprio ex-governador, não só dele, quando de sua família. Esse cidadão aqui de público tenho a dizer, é um homem desumano, que envolveu até uma criança, sua filha de 10 anos, como cotista de empresas para lavagem de dinheiro. Da mesma forma seus secretários, a maioria também envolvida em verdadeira corrupção desenfreada que hoje campeia em nosso estado”.
Apelo aos órgãos de controle e investigação
Ao final de sua fala, Jayme Campos fez um apelo direto a diversas autoridades federais e estaduais para que aprofundem as investigações sobre desvios na Secretaria de Saúde de Mato Grosso, estimados por ele em mais de R$ 1,5 bilhão, além de fraudes em empréstimos consignados de servidores públicos e o destino de R$ 308 milhões de um negócio envolvendo a empresa de telefonia Oi, que teriam sido desviados para empresas particulares ligadas a ex-secretários e ao próprio ex-governador.
O senador cobrou ações enérgicas do chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, do ministro André Mendonça, da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca, exigindo que as investigações não sejam interrompidas e que os responsáveis respondam judicialmente pelos supostos crimes.






















