O político Júlio Campos é o entrevistado desta semana do programa Nada Pessoal, conduzido pelos jornalistas Antero Paes de Barros e Pedro Pinto de Oliveira. Nesta entrevista teremos a participação do jornalista Marcy Monteiro, editor do PNB Online.
Assista à entrevista, na íntegra, no final da matéria.
Júlio Campos, às vésperas de completar 75 anos de idade e 50 anos na vida pública, é um dos políticos de mais sucesso e tradição em Mato Grosso. No currículo, ele já foi prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso, deputado constituinte, senador e conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso.
Na entrevista, como não poderia deixar de ser, o principal assunto é política, com uma aula de história do Brasil, Mato Grosso e até mundial. Já que Júlio fala das suas relações internacionais quando governador do Estado, para conseguir empréstimos de grandes instituições bancárias de outros países.
Biografia
Júlio José Campos nasceu em Várzea Grande (MT) no dia 11 de dezembro de 1946, filho de Júlio Domingos de Campos e Amália Curvo de Campos. Seu pai foi prefeito e vereador em Várzea Grande pelo Partido Social Democrático (PSD), entre 1947 e 1963. De seu casamento com Isabel Coelho Pinto de Campos, teve quatro filhos.
Realizou os estudos primários no Grupo Escolar Pedro Gardés, em Várzea Grande, e os secundários no Colégio Estadual de Mato Grosso, em Cuiabá. Mais tarde, estudou em Goiás onde fundou e presidiu a Associação do Estudante Mato-Grossense em Goiás. Iniciou suas atividades políticas no PSD, partido ao qual foi filiado entre 1964 e 1965.
Cursou agronomia na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, exercendo o cargo de vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes de Agronomia do Brasil entre 1967 e 1968. Formou-se em 1969 e, no ano seguinte, retornou à sua cidade natal, assumindo a Secretaria de Viação e Obras Públicas da prefeitura municipal. Ainda em 1970, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação regime militar instaurado no país em abril em 1964.
Engenheiro-chefe do Setor de Colonização e Operações da Companhia de Desenvolvimento do Mato Grosso entre 1971 e 1972, em novembro desse último ano elegeu-se prefeito de Várzea Grande na legenda arenista. Foi empossado no cargo no início de 1973. Vice-presidente do Consórcio Internacional de Desenvolvimento do Pantanal, entre 1974 e 1977, e membro do Conselho Estadual de Transporte do Estado de Mato Grosso entre 1975 e 1976, concluiu seu mandato de prefeito em 1977.
Em 1977 e 1978, foi professor de cooperativismo da Universidade Federal de Mato Grosso. Em novembro de 1978, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pela Arena, tendo como base eleitoral Várzea Grande. Foi eleito com 39.814 votos, tendo obtido a maior votação no estado. Assumiu o mandato em 1º de fevereiro de 1979, vindo a integrar a Comissão de Agricultura e Política Rural e a de Trabalho e Legislação Social da Câmara dos Deputados. Ainda nesse ano, com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro, e a conseqüente reorganização partidária, filiou-se, em 1980, ao Partido Democrático Social (PDS), e se tornou-se membro da comissão provisória de fundação do partido no estado do Mato Grosso.
Entre 1980 e 1982, foi primeiro-secretário da comissão executiva do diretório nacional do PDS e secretário-geral da agremiação no estado de Mato Grosso. Durante essa legislatura, integrou a missão parlamentar que visitou o Japão e representou o Brasil no Encontro Anual de Líderes Jovens da América no ano de 1981. Em 1983, fez parte da comissão do presidente da República, general João Batista Figueiredo, em missão especial à Bolívia.
Em junho de 1982, teve seu nome homologado pela convenção do PDS como candidato ao governo do estado, Em novembro, elegeu-se com 203.605 votos, derrotando o candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), padre Raimundo Pombo. Empossado em março de 1983, era então o único governador do partido na região Centro-Oeste e na Amazônia. Durante seu governo, foi inaugurada a pavimentação da rodovia que liga Cuiabá a Porto Velho e foram construídas várias rodovias vicinais
Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, apresentada na Câmara dos Deputados, propunha o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República, em 25 de abril de 1984, a sucessão do presidente João Batista Figueiredo ocorreu por via indireta, através do Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985. Júlio Campos atuou na campanha do candidato do PDS, Paulo Maluf, derrotado por Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já exercia interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.
Em fevereiro de 1985, Júlio Campos anunciou que ingressaria no Partido Democrático Trabalhista (PDT), mas a agremiação recusou seu pedido de filiação. Logo a seguir, anunciou seu ingresso no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o que também não viria a se efetivar. Em outubro, a oposição denunciou-o por imprimir a propaganda eleitoral do candidato da coligação PDS-PDT à prefeitura de Cuiabá, Gabriel Neves, o que acarretou à demissão da diretoria da gráfica oficial do estado. Neves foi derrotado no pleito de novembro de 1985 pelo candidato do PMDB, Dante de Oliveira.
Em fevereiro de 1986, Júlio Campos, juntamente com o então secretário de Segurança, Oscar Travassos, foi acusado de ter mandado assassinar o advogado Celso Quintela, que fora candidato do PMDB à prefeitura de Várzea Grande no pleito de novembro de 1982. À época, o adversário de Quintela era Jaime Campos, irmão do governador. O inquérito realizado concluiu pela isenção de culpa do governador, com base em versão apresentada pela promotoria, segundo a qual dois homens que trabalhavam para Quintela o teriam baleado acidentalmente ao tentar acertar uma pessoa que agredira o advogado.
Em maio, Júlio Campos se desincompatibilizou do cargo de governador a fim de disputar uma vaga na Assembléia Nacional Constituinte pelo PFL nas eleições de novembro de 1986, deixando o estado em crise econômico-financeira e o funcionalismo público em greve. Foi substituído no cargo pelo vice-governador Vilmar Peres, que havia rompido com Campos meses antes.
Eleito o constituinte mais votado do estado, com 61.002 votos, na legenda pefelista, Júlio Campos assumiu o mandato em 1º de fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Constituinte. Integrou na condição de titular a Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente da Comissão da Ordem Social e, como suplente, a Subcomissão do Poder Legislativo, da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo.
Nas eleições de outubro de 1990, concorreu a uma das vagas ao Senado pela mesma legenda. Eleito com 331.212 votos, novamente com a maior votação do estado, Júlio Campos assumiu o mandato em 1º de fevereiro de 1991. Em 1991 e 1992, presidiu a Comissão de Infra-Estrutura e integrou a Comissão de Educação, como titular, e as comissões de Assuntos Econômicos e de Constituição, Justiça e Cidadania, como suplente.
Disputou o governo de Mato Grosso nas eleições de outubro de 1998, à frente da coligação que incluía PFL, PMDB, PL, PTB, PPB, além de agremiações de menor expressão, tendo sido derrotado no primeiro turno por Dante de Oliveira, candidato à reeleição. Deixou o Senado em janeiro de 1999, ao final da legislatura, quando passou a se dedicar às atividades empresariais.
Em 28 de junho de 2002 tomou posse como conselheiro no Tribunal de Contas de Mato Grosso, indicado pela Assembleia Legislativa e homologado pelo sucessor de Dante de Oliveira no governo do Estado, Rogério Sales, permaneceu no TCE/MT até 12 de dezembro de 2007, quando se aposentou.
Ficou afastado da política até o ano de 2008, quando concorreu ao cargo de prefeito de Várzea Grande pelo Democratas (DEM) ,partido oriundo da refundação do PFL, um ano antes. Porém, com 45.688 votos recebidos, não obteve êxito, ficando com a segunda colocação no pleito.
Nas eleições de Outubro de 2010, voltou a candidatar-se, desta vez por uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi eleito com 72.560 votos para o mandato que iniciou em Fevereiro do ano seguinte.
Em 2020, com a cassação da Senadora Selma Arruda Júlio ensaiou candidatura ao senado na eleição suplementar, chegou a ser escolhido candidato na convenção de seu partido, conduto, a eleição que estava marcada para 26 de abril de 2020, foi adiada pelo TSE, devido a pandemia do Covid-19, a eleição suplementar para senador só foi ocorrer em 15 de novembro de 2020, junto com as eleições municipais e Júlio concorreu a vaga de 1º suplente na chapa de Nilson Leitão, que ficou em 3º lugar.
Como empresário Júlio Campos atuou nas áreas da imprensa (jornal, rádio e TV), agropecuária, mineração, construção civil e imobiliária.
FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1987-1991); Jornal do Brasil (3/09/1985, 9/10/1985, 7/03/1986, 8/03/1986, 11/03/1986, 13/03/1986, 14/03/1986, 15/03/1986, 25/03/1986, 26/03/1986, 25/11/1986, 13/01/1993, 20/01/1993, 21/09/1994, 19/05/1995 e 10/10/95); Jornal Estado de São Paulo (8/03/1986, 10/04/1986, 15/05/1986, 29/09/1992, 9/04/1993 e 23/11/94); Jornal Folha de São Paulo (26/02/1986, 27/02/1986, 8/05/1986, 11/05/1986, 25/03/1986, 11/05/1986, 14/05/1986, 15/05/1986, 14/01/1993, 11/04/1993, 28/06/1995 e 22/05/1996); Jornal O Globo (15/06/1982, 13/09/1984, 6/02/1985, 7/08/1985, 15/12/1985, 11/03/1986, 22/03/1986, 25/03/1986, 4/04/1986, 11/05/1986, 14/01/1993, 19/01/93 e 4/8/94); Revista Isto É / Perfil Parlamentar (1991); Portal G1 de Notícias; Portal pessoal do deputado federal Julio Campos; Portal do Tribunal Superior Eleitoral.


























