O traficante Roberto Augusto Lemes da Silva, um dos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que foi investigado por um esquema de fraude a incentivos fiscais no Governo de Mato Grosso, negocia uma delação premiada, de acordo com informações do jornal O Globo.
A notícia estremeceu os bastidores da política nacional e mato-grossense porque Beto Louco, como é conhecido, é figura recorrente no meio empresarial e político, principalmente por conta de suas conexões. Graças a um engenhoso esquema de fraude ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), Beto Louco conseguiu sonegar R$ 23 milhões de ICMS. O esquema foi descoberto pela operação Barril Vazio, realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. Beto e outros comparsas foram indiciados pelos crimes em maio deste ano.
Meses após ser alvo da operação em Mato Grosso, Beto foi alvo da Operação Carbono Oculto, quando acabou preso. A megaoperação Carbono Oculto é a junção de três operações e aconteceu em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais, segundo autoridades da Fazenda de São Paulo.
A operação descobriu ligações das fraudes com o centro financeiro do país, a Faria Lima. Esse rastro já havia sido apontado pelos investigadores de Mato Grosso, quando compreenderam que Beto Louco e seus comparsas utilizavam fundos de investimentos para fraudar o capital social de uma empresa que ingressou com pedidos para entrar no Prodeic. No decorrer das investigações, surgiram suspeitas de que Beto teria conexões dentro da estrutura do Estado, mas estas possíveis conexões não foram o foco do trabalho investigativo.
Beto Louco em Mato Grosso
Um dos parceiros comerciais de Beto Louco em Mato Grosso é Alexandre Wonharath da Gama e Silva. O empresário também foi alvo das investigações do Ministério Público. Sua posição na estrutura financeira local surpreendeu os investigadores, principalmente por conta dos laços societários com figuras proeminentes do mundo empresarial. Wonharath se conecta a empresários que foram investigados na Operação Lava Jato e com figuras que detém concessão de rodovias em Mato Grosso.
Segundo a denúncia da operação Barril Vazio, o esquema no Prodeic foi realizado sob a liderança de Beto e Alexandre Wonhrath graças à utilização de fraudes em cartórios para acrescentar uma fazenda inexistente na lista de bens da empresa Egcel/NeoVG Derivados de Petróleo S/A, visando inflar seu capital social para ingressar no programa do governo de isenção fiscal.
Beto Louco tornou-se sócio da empresa através do JNC Fundo de Investimento em Participações – Capital Semente, um fundo de investimentos investigado pela operação.
“O capital social da NEOVG/EGCEL está lastreado em propriedades adquiridas com documentos falsificados e notas promissórias fictícias, criadas com o intuito de mascarar sua real situação financeira. Esse esquema fraudulento não apenas viabilizou a prática contínua de infrações penais, mas também causou um prejuízo fiscal expressivo ao Estado de Mato Grosso, que deixou de arrecadar R$ 15.603.963,09. Atualizado até 30/01/2024, esse montante alcançou R$ 28.973.647,97, referente ao período compreendido entre setembro de 2022 e setembro de 2023”, diz trecho das investigações do MP, reveladas em maio deste ano.
























