O governador Mauro Mendes (União), em articulação com a senadora Margareth Buzetti (PP), esteve nesta quarta-feira (11.03) no Senado Federal para tentar barrar a investigação sobre o escândalo dos consignados, que prejudicou milhares de servidores públicos em Mato Grosso. Os dois teriam articulado para impedir a convocação do ex-senador Pedro Taques, que iria ao Senado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Organizados. A CPI apura o funcionamento de organizações criminosas e também investiga os esquemas fraudulentos de empréstimos consignados voltados a servidores públicos.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou um requerimento no dia 04 de março para convocar Pedro Taques. Este requerimento seria votado em uma reunião semipresencial da Comissão, nesta quarta-feira, juntamente com outros 29 itens na pauta. Fontes ouvidas pelo PNB Online informaram que Mauro Mendes e a senadora estiveram no gabinete do senador Alessandro Vieira para impedir a convocação de Taques. E, realmente, o item 7 da pauta da reunião da CPI, que tratava da convocação de Taques (veja abaixo), foi retirado de pauta e deixou de ser apreciado. Segundo uma fonte no Senado, a “desconvocação” ocorreu a pedido de Mendes e Buzetti.

O requerimento de convocação, que foi retirado de pauta, justificava o pedido para que Taques comparecesse ao Senado por ter “uma visão privilegiada e técnica sobre os mecanismos de funcionamento do Estado e as formas de interação entre o sistema financeiro e a administração pública”. A convocação ressaltava ainda que a colaboração de Pedro Taques levaria à Comissão “um depoimento de altíssimo valor probatório, especialmente no que concerne ao complexo ecossistema de empréstimos consignados voltados a servidores públicos”.
O escritório de advocacia do qual Pedro Taques é sócio, tem defendido os servidores públicos estaduais de Mato Grosso em processos referentes às fraudes nos consignados. Taques tem dirigido críticas à gestão de Mauro Mendes por falhas na administração dos consignados, prejudicando os servidores com descontos indevidos. Fato também relatado no documento de convocação: “soma-se a isso o fato de que o Senhor Pedro Taques passou a representar entidades sindicais de servidores públicos estaduais em denúncias relacionadas a irregularidades no sistema de crédito consignado operado no Estado de Mato Grosso. Conforme amplamente noticiado pela imprensa mato grossense ao longo de 2025, Taques afirmou haver fortes indícios de fraudes em contratos firmados com a empresa Capital Consig, que teriam causado prejuízos financeiros estimados a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais”.
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