
O mês de março, marcado por ações de conscientização no Dia Internacional da Mulher, terminou com alta nos casos de feminicídios em Mato Grosso. Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontam que o estado registrou seis mortes no mês, número superior ao observado em janeiro e fevereiro deste ano, quando houve dois casos em cada período, e também acima de março de 2025, que contabilizou quatro ocorrências.
No acumulado de 2026, já são dez feminicídios registrados no estado. Em 2025, no mesmo intervalo, haviam sido oito casos. Os crimes deste ano ocorreram em diferentes municípios, com dois registros em Cuiabá e um em cada uma das seguintes cidades: Vila Bela da Santíssima Trindade, São José do Xingu, Rondonópolis, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Lucas do Rio Verde, Itaúba e Chapada dos Guimarães.
Metade dos assassinatos foi cometida com o uso de arma cortante ou perfurante. Também foram registrados dois casos de atropelamento, dois com arma de fogo e um classificado por outros meios. Em quatro situações, a motivação do crime esteve relacionada à tentativa de rompimento ou ao fim de um relacionamento.
Os dados mostram ainda que a violência ocorre, em sua maioria, dentro de casa: oito dos dez feminicídios foram registrados em residências. As mortes deixaram 14 crianças órfãs, filhos das vítimas.
Chama a atenção que em nove dos casos ocorridos neste ano, as vítimas ainda não haviam solicitado medida protetiva contra o agressor. Segundo a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, coordenadora do Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e Gênero Feminino (CAOVD) do MPMT, apenas no último ano mais de 18 mil medidas foram concedidas em Mato Grosso, o que demonstra o impacto direto na preservação de vidas.
Conforme Portela, as medidas protetivas ajudam a afastar o agressor, impedir qualquer tipo de contato e garantem que a mulher não seja prejudicada no patrimônio ou na guarda dos filhos. A procuradora também destaca que o Estado conta com políticas de acolhimento, como casas de amparo, Ser Família Mulher, Patrulha Maria da Penha e garantias legais como permanência no Minha Casa Minha Vida e cirurgia reparadora pelo Sistema Único de Saúde (SUS).























