
Uma comissão do Ministério da Saúde esteve em Cuiabá nesta quinta-feira (23.04) para verificar denúncias de desmonte do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Mato Grosso. A visita ocorre em meio à repercussão sobre mudanças no modelo de atendimento, com a atuação do Corpo de Bombeiros no socorro pré-hospitalar.
A equipe federal vistoriou o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) para avaliar a estrutura, os veículos e as condições de funcionamento do serviço. A inspeção foi acompanhada por representantes do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT) e da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (Fessp-MT).
A comitiva foi composta por Felipe Reque, coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, pela enfermeira Nicole Braz, da Coordenação-Geral de Urgência (CGURG), e por Justiniano Neto, coordenador-geral do Sistema Nacional de Auditoria. O objetivo é adiantar um relatório que será apresentado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que deve vir ao estado na próxima semana.
“O objetivo da nossa visita é produzir um relatório do Ministério da Saúde com a parceria do Departamento de Atenção Hospitalar e do Departamento de auditoria do SUS. Viemos pelas informações que chegaram, via mídia, sobre coisas que poderiam afetar o Samu aqui no estado. Então, provocados por isso, viemos para fazer esse relatório e essa visita”, afirmou Reque.
A ida da comissão ocorre após denúncias apresentadas por entidades sindicais, que apontam redução na estrutura do Samu, com fechamento de unidades e desligamento de profissionais. O tema ganhou força nos últimos dias, após declarações do governo estadual sobre mudanças no modelo de atendimento.
Em coletiva na quarta-feira (23.04), o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) recuou de uma fala anterior em que sugeria o fim do Samu e afirmou que o serviço continuará em funcionamento, com integração ao Corpo de Bombeiros.
“Eu me expressei mal sobre esse assunto. O Samu é um programa federal que permite aos municípios a adesão. Nós temos em Mato Grosso o Samu em Cuiabá e outras cidades, assim como temos outras unidades do Corpo de Bombeiros com profissionais preparadíssimos para o atendimento. Quando uma pessoa liga, cai numa central. Se o Corpo de Bombeiros estiver mais perto, por que não ir o Corpo de Bombeiros? Queremos atender o mais rápido possíve.”, declarou.
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Mello, afirmou que não houve demissões, mas encerramento de contratos temporários. “Não houve demissão, houve o vencimento de contratos temporários de dois anos. O número de desligados chega a 38, para fazer ajuste nas escalas entre as unidades. Não desfalcamos. A qualquer momento, havendo necessidade, podemos fazer ajustes”, afirmou.
Na Assembleia Legislativa, a Comissão de Saúde cobrou revisão das medidas. Segundo os servidores, entre outubro de 2025 e março de 2026, cinco unidades foram desativadas na Baixada Cuiabana e houve desligamento de 56 profissionais, o que teria afetado o funcionamento das equipes.
“Em razão dos desligamentos, não conseguimos manter o funcionamento ininterrupto de todas as ambulâncias, sejam de suporte básico, avançado ou motolâncias”, afirmou a enfermeira Patrícia Ferreira, durante reunião realizada na quarta-feira (22.04).
A Comissão de Saúde da Assembleia solicitou formalmente a revisão dos desligamentos e da desativação das bases e deve realizar uma nova reunião na próxima semana, com a participação de representantes do Ministério da Saúde.

























