O número de mortes de crianças e adolescentes em decorrência de intervenções policiais cresceu mais de 146% em três anos em Mato Grosso. Os dados são do Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, publicado nesta terça-feira (13.08) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O estudo destaca que Mato Grosso apresentou crescimento sucessivo na taxa de mortes decorrentes de intervenção policial na faixa etária de 10 a 19 anos, entre os anos de 2021 e 2023. Em 2021, a taxa foi de 2,4 para cada 100 mil habitantes nesta mesma faixa de idade, passando para 3,9 em 2022 e 6 em 2023. Em números absolutos, foram 13 mortes em 2021, 21 em 2022 e 32 em 2023.

Ao considerar a faixa etária de 0 a 19 anos, Mato Grosso ocupa a 5ª posição no ranking nacional de mortes decorrentes de intervenções policiais, quando analisadas as taxas por 100 mil habitantes. Apenas os estados do Amapá, Bahia, Sergipe e Rio de Janeiro apresentam índices mais elevados.
Conforme esclarecem os pesquisadores, outro indicador comumente utilizado para aferir uso da força letal pelas polícias é a proporção entre as mortes por intervenções em relação às demais mortes violentas no território. “Como a análise das taxas isolada pode esconder determinados padrões, este é um mecanismo para dimensionar a força letal policial em relação aos demais assassinatos do território”, traz a publicação.
Nessa perspectiva, Mato Grosso também se destaca na análise, apresentando proporção bastante acima da média nacional. Por aqui, se do dia para a noite as polícias deixassem de fazer uso da força letal, haveria uma queda de 25,2% no número de crianças e adolescentes vítimas de mortes violentas intencionais.
“Esta análise indica que uma política de redução de homicídios com foco em crianças e adolescentes precisa, em vários estados, necessariamente considerar o controle do uso da força das polícias como uma variável chave para seu sucesso”, constata o estudo.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) foi questionada pelo PNB Online sobre o aumento de casos e se há alguma política em curso para que o número seja diminuído, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria.
























