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ARTIGO

O dia do Filósofo

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Há dias dedicados a diferentes profissões, eventos, realizações e pessoas importantes na história. 16 de agosto, Dia Mundial do Filósofo. Trata-se da celebração de algo que se aprofunda profundamente em nossa humanidade: o desejo incontrolável de fazer perguntas. Não é sobre aqueles que transformaram a filosofia em uma profissão em que se paga para participar, ou em um estudo formal; por outro lado, trata-se de reconhecer o valor de qualquer abordagem diante da vida — pelo menos, dizer NÃO a tudo o que se apresenta fantasiado de verdade absoluta.

Esta data é altamente simbólica porque nos lembra do nascimento (384 a.C.) de uma das maiores mentes de todos os tempos: Aristóteles. Aluno de Platão e professor do lendário Alexandre, o Grande, Aristóteles não dava espaço para apenas ficar a ponderar uma parte da realidade. Ele mergulhou nos segredos da política, nos mistérios da ética, nos ritmos da natureza, nas estruturas da lógica, nas águas sombrias da metafísica, nas fantasias da poesia e na ordenação habilidosa da vida social. Sua marca pulsa cada vez com mais intensidade, pois, ao apresentar conjunções já resolvidas, ele elevou uma conversa: olhar de perto, perguntar sem medo e sem favoritismo e separar o som do silêncio.

Na mesma linha da argumentação acima, ser filósofo não implica que alguém deva continuar pairando entre nuvens, bem distante do chão. Pelo contrário. A filosofia nasce quando aquilo que era normal se torna inesperado. O que nos faz obedecer a ordens? O que é justiça? As asas da liberdade significam o quê? O que isso diz sobre nós ao flutuar nas águas da nossa existência? Existe, de fato, uma realidade, ou são apenas versões diferentes da sua história? Quais dívidas temos com estranhos que cruzam nosso caminho? São perguntas que definham numa prateleira do tempo, mas parecem perenes, visto que a cada nova leva chegam com uma perspectiva diferente.

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Tão estranhamente, estamos nos afogando num rio de informações, mas navegando num deserto de reflexão. Nunca tivemos a oportunidade de mergulhar num oceano tão amplo de informações, ideias, ilustrações e comentários. Tipo, nunca foi tão fácil repetir ideias sem jamais olhá-las primeiro. As conexões se aceleram, as respostas clamam por urgência e quase todo problema transforma a busca pela verdade numa guerra escura e desumanizante entre lados opostos. E assim, o raciocínio cauteloso se torna um ato de coragem moral de responsabilidade.

É precisamente nesse contexto que o pensador se faz necessário. A reflexão não se considera guardiã da verdade, mas a energia que franze o nariz para crenças confortáveis demais para serem verdade. Utilizar a razão é dizer, como um hábito: chega. Sempre faça a pergunta, depois dê aprovação; investigue antes de atirar a pedra, e esteja ciente de que nem todas as opiniões bem-educadas têm pernas para carregá-las até a linha de chegada.

Diz-se que todo ser humano tem, por natureza, sede de conhecimento (Aristóteles). Não será essa uma das desculpas mais discretas em favor da igualdade para celebrar o Dia do Pensador Mundial? A filosofia não é apenas para universidades, nem para livros difíceis de ler, nem para grandes bibliotecas. Ela está presente no cidadão que pergunta sobre uma injustiça, no jovem que tenta entender seu lugar neste mundo, e permanece com o juiz ao ponderar o que uma decisão pode significar, diante de qualquer pessoa que recuse viver apenas por repetição.

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Celebrar o pensador, portanto, é elogiar uma inteligência inquieta. É compreender que uma sociedade sem questionamentos arrisca transformar o preconceito em fatos, interesses em valores e opiniões em dogma. Pensar exige tempo. Exige dúvida. Acima de tudo, exige coragem para dizer que não sabemos tudo. E, no fim do dia, sempre haverá alguém que pergunta por quê? — a filosofia continuará a existir.

É por aí…

Gonçalo Antunes de Barros Neto tem formação em Filosofia, Sociologia e Direito.

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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